Chega acusa o primeiro-ministro de ser “um dos problemas de criminalidade”
Segurança
2 de abr. de 2025, 17:29
— Lusa/AO Online
Estas
posições foram assumidas pelos partidos nas respetivas declarações
políticas da primeira sessão da Comissão Permanente, órgão que funciona
quando a Assembleia da República está dissolvida ou em período de
férias.André Ventura, líder do Chega,
afirmou que o país assistiu a “um aumento brutal e significativo de
criminalidade nos últimos tempos”, exemplificando com dados dos
distritos de Santarém, Castelo Branco e Leiria para argumentar que “o
país afunda em bandidagem de norte a sul”.Para
Ventura, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, “não é solução”, mas sim
“um dos problemas da criminalidade em Portugal”, por não ter respondido
com endurecimento das leis e penas de prisão às questões de segurança
do país.“Deixámo-los à solta? Deixámos. E
hoje temos os nossos que já eram criminosos, os imigrantes que vieram e
que também, em muitos casos, cometem crimes. E um aumento brutal de
redes de tráfico de droga e de tráfico de seres humanos espalhado por
todos os distritos do país”, afirmou.André
Ventura acusou ainda o Governo de estar a operar, hoje no Porto, um
“número de ilusionismo” com uma “ação de propaganda disfarçada de
Conselho de Ministros”, acrescentando que, embora o executivo tenha
assegurado que foi cumprido já um terço do programa eleitoral, várias
promessas não foram cumpridas, como a descida do IRC em dois pontos
percentuais ou a modernização administrativa.A
líder parlamentar dos liberais, Mariana Leitão, centrou também a sua
intervenção nas questões de segurança interna, salientando que os dados
do RASI de 2024 revelam uma “tendência preocupante” em aspetos como a
criminalidade violenta e grave ou a delinquência juvenil.“Estes
números não podem ser ignorados e o panorama, embora que ainda não seja
catastrófico, exige uma resposta rápida, eficaz e adaptada aos tempos
atuais. Por isso, a questão que se impõe é: o que fazer para inverter
esta tendência?”, questionou.A deputada
liberal defendeu que, como resposta a esta tendência, é necessário
garantir todos os meios às forças de segurança “que hoje enfrentam falta
de recursos, efetivos envelhecidos e dificuldades operacionais” e o
“investimento urgente em tecnologia que permita a deteção precoce de
crimes e o combate eficaz à criminalidade organizada”.Mariana
Leitão pediu também um investimento em meios não letais para as forças
de segurança por serem, argumentou, uma forma “decisiva para resolver
situações de riscos, minimizando danos e, ao mesmo tempo, garantindo a
segurança pública, protegendo a vida tanto dos agentes como dos
cidadãos”.O partido insistiu ainda que
deve haver uma maior aposta no chamado “policiamento de proximidade” e
deve ser criada uma “carreira administrativa especializada” dentro das
forças de segurança para “melhorar a eficiência do trabalho policial”,
bem como permitir que “os agentes de segurança se concentrem nas suas
funções de segurança pública”.