Chega/Açores questiona impacto financeiro da SATA no défice regional de 2025
Hoje 09:31
— Lusa/AO Online
Segundo um comunicado do
partido, a situação preocupa os deputados do Chega/Açores, que enviaram
um requerimento ao executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM), através do
parlamento regional, através do qual questionam "acerca do impacto
financeiro direto e indireto do grupo SATA no défice da região em 2025,
nomeadamente, em que medida esse impacto compromete a sustentabilidade
das finanças públicas regionais".O
Chega/Açores apontou que os encargos do Governo Regional associados à
SATA, nomeadamente através de avales públicos, "é considerado pelo
executivo um dos fatores que mais contribuiu para que o défice da
administração pública regional atingisse 299,9 milhões de euros em
2025"."Só para a SATA foram concedidos
avales no valor de cerca de 85 milhões de euros, em 2025, o que
contribuiu diretamente para o agravamento do défice e da dívida da
região", alertaram.Através do
requerimento, os parlamentares do Chega/Açores questionaram qual o
montante total de avales concedidos ao grupo SATA em 2025 e se algum
deles já foi acionado, "convertendo-se assim em encargos efetivos para a
região".Os deputados quiseram também
saber qual tem sido o montante global de apoios públicos e
responsabilidades assumidas pela região a favor do grupo SATA nos
últimos 10 anos, bem como o total da dívida financeira e comercial da
empresa, em 31 de dezembro de 2025, e os riscos associados para as
contas regionais.Os deputados pediram
ainda esclarecimentos sobre rotas deficitárias, o estado do processo de
privatização da Azores Airlines e o eventual impacto financeiro de um
insucesso desse processo.Através do
requerimento foram também solicitados esclarecimentos sobre o número de
aeronaves que "estão paradas e sem estarem ao serviço da SATA", a
evolução do número de trabalhadores nos últimos cinco anos no grupo e se
o Governo Regional prevê assumir novos encargos ou responsabilidades
financeiras em 2026 com a empresa.O líder
parlamentar do Chega/Açores, José Pacheco, disse que “o próprio Governo
Regional reconhece agora aquilo que durante anos foi negado: a SATA pesa
— e pesa muito — nas contas públicas da região", e defendeu a
necessidade de "respostas, transparência e, acima de tudo, decisões"."Não
estamos a falar de perceções. Estamos a falar de números concretos que
ajudam a explicar um défice de quase 300 milhões de euros”, apontou José
Pacheco, citado na nota de imprensa do partido.O
parlamentar questionou ainda: “Até quando vão os açorianos continuar a
pagar a fatura de uma empresa que não demonstra sustentabilidade
financeira?”.No dia 18, o executivo
anunciou que vai dar orientações à SATA para iniciar um novo processo de
privatização da Azores Airlines através de negociação particular,
decisão que resulta da “experiência adquirida no procedimento anterior”.O
Governo Regional decidiu encerrar a anterior privatização da Azores
Airlines sem adjudicação, seguindo a recomendação do júri, que concluiu
que única proposta admitida implicava “riscos inaceitáveis”, um acordo
parassocial que permitia reduzir a participação pública e uma equipa
menos experiente na aviação, segundo revelou a agência Lusa no dia 06.O
consórcio Atlantic Connect Group apresentou em 24 de novembro de 2025
uma proposta de 17 milhões de euros por 85% do capital social da Azores
Airlines.A privatização da Azores Airlines
vai ter de ficar concluída até ao final do ano, segundo decisão da
Comissão Europeia, que em junho de 2022 aprovou uma ajuda estatal
portuguesa para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25
milhões de euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas
como uma reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma
participação de controlo (51%).