Chega/Açores questiona destino de inertes retirados do terreno da nova cadeia de Ponta Delgada
27 de jul. de 2026, 17:34
— Lusa/AO Online
Num
requerimento enviado à Assembleia Legislativa dos Açores, os deputados
referem que o processo de extração de bagacina no terreno localizado na
Mata das Feiticeiras, concelho da Lagoa, onde deverá ser construído o
novo Estabelecimento Prisional de São Miguel, “tem levantado sérias
dúvidas que exigem esclarecimentos quanto a uma obra anunciada em 2017,
mas que está atualmente parada”.Assim, o
Chega questiona o destino dado à bagacina que, entretanto, já foi
retirada do local e qual a quantidade deste inerte que ainda falta
retirar do terreno, para que se iniciem efetivamente as obras.Os
deputados querem ainda saber se a bagacina já extraída foi depositada,
reutilizada, cedida ou vendida, quem beneficiou desse material e se
existiu qualquer valorização económica resultante da sua utilização. Os
parlamentares pedem também esclarecimentos sobre os custos já
suportados, qual o valor final previsto para a empreitada, assim como
sobre as entidades responsáveis pela fiscalização técnica dos trabalhos.No
requerimento, o Chega/Açores solicita igualmente informações sobre se
os procedimentos administrativos, ambientais e financeiros respeitaram
integralmente a legislação em vigor e se o Governo Regional considera
que todo o processo decorreu em conformidade com a lei.“A
transparência na gestão dos recursos públicos é um dever para com os
açorianos”, salienta o líder parlamentar do Chega, José Pacheco,
considerando que, quando “estão em causa investimentos de milhões de
euros que permanecem sem resultados visíveis, é obrigação das entidades
públicas prestar contas de forma clara, completa e rigorosa”.O
Chega/Açores defende ainda que, independentemente de haver ou não
qualquer ilícito associado à obra, se existirem suspeitas, estas devem
ser investigadas. “Se depois de uma
investigação rigorosa se chegar à conclusão que não existiu qualquer
crime, então têm de ser apuradas as responsabilidades políticas e
administrativas de quem decidiu, autorizou, fiscalizou e permitiu que se
chegasse a esta situação”, sustenta José Pacheco.A 10 de junho, a Assembleia Legislativa dos Açores aprovou, por
unanimidade, uma resolução apresentada pelo Chega que recomendava ao
Governo Regional que promova as diligências necessárias junto da
República para a construção “urgente” do novo estabelecimento prisional
de Ponta Delgada.“As condições do atual
estabelecimento prisional são péssimas, não só para os reclusos, como
para quem lá trabalha”, recordou o líder parlamentar do Chega, José
Pacheco, durante a apresentação da iniciativa, na sede do parlamento, na
cidade da Horta, insistindo na urgência em que o Estado construa já um
novo edifício.José Pacheco recordou também
a “trapalhada” que se verificou em torno do terreno escolhido para a
construção do novo estabelecimento prisional, a Mata das Feiticeiras,
sugerindo mesmo que o Ministério Público investigue os negócios em torno
da aquisição e limpeza do terreno.