Chega/Açores quer saber quanto custou Ryanair à região e que falhou nas negociações
Hoje 17:28
— Lusa/AO Online
“A Ryanair já saiu. Agora é preciso
saber o que falhou, quanto custou aos Açores esta relação e quais foram
as consequências da saída. Mas, acima de tudo, queremos saber qual é o
plano do Governo [Regional] para recuperar rotas, lugares e
concorrência”, afirma o líder parlamentar do Chega açoriano, José
Pacheco, citado numa nota de imprensa do partido.Para o deputado e também líder regional do Chega, os Açores “não podem ficar à espera que as companhias [aéreas] apareçam”.“Precisamos
de uma estratégia clara para garantir mais ligações, preços
competitivos e condições para que o nosso turismo continue a crescer”,
vincou.O grupo parlamentar do Chega
entregou um requerimento no parlamento regional, dirigido ao executivo,
onde recorda que “poucos meses antes da decisão da Ryanair de abandonar
os Açores, tinha sido admitida publicamente a possibilidade de
reabertura da base da companhia aérea em Ponta Delgada”.Além
disso, acrescenta, em março de 2025, a Visit Azores (associação
responsável pela promoção turística da região) celebrou com a Ryanair
“um contrato no valor de 1,885 milhões de euros, acrescido de IVA,
destinado à promoção dos Açores nos mercados externos”.O
partido quer saber qual foi o valor total pago, direta ou indiretamente
à Ryanair ou a empresas do mesmo grupo, entre 2015 e 2026, pelo Governo
Regional, pela Visit Azores ou por outras entidades financiadas pela
região, bem como as propostas apresentadas pelo executivo regional para
evitar a saída da companhia e as razões que levaram ao fracasso das
negociações.Os açorianos “têm o direito de
saber quanto dinheiro público esteve envolvido nesta relação, quais
eram as contrapartidas e que resultados foram obtidos”, afirma José
Pacheco.“Não estamos a dizer que a saída
da Ryanair explica, por si só, a evolução do turismo nos Açores. […] Mas
quando desaparece um operador com este peso, reduz-se a oferta de
lugares e diminui a concorrência, é obrigação do Governo [Regional]
avaliar concretamente as consequências e apresentar soluções”, concluiu.O
Chega também exige esclarecimentos sobre o Fundo de Desenvolvimento de
Rotas Aéreas dos Açores, pretendendo conhecer o seu estado atual, que
companhias e novas rotas estão a ser negociadas e qual o prazo previsto
para recuperar a capacidade aérea perdida.A
posição do partido surge quase cinco meses após a companhia aérea de
baixo custo Ryanair ter abandonado a operação nos Açores, devido às
“elevadas taxas aeroportuárias” e à “inação” do Governo português, como
foi justificado na altura.A Ryanair era a única ‘low-cost’ com uma operação regular direta entre o continente português e as ilhas.