Chega/Açores quer parceiras público-privadas na gestão dos três hospitais da região

Hoje 12:17 — Lusa/AO Online

“Em três hospitais, três explicações diferentes e um mesmo resultado: gasta-se mais e faz-se menos. Gastar mais não é o mesmo que tratar melhor. O Serviço Regional de Saúde tem de gerir melhor os recursos que os açorianos lhe confiam”, afirmou a deputada do Chega Hélia Cardoso, no plenário da Assembleia Regional, na Horta.A parlamentar falava na abertura do debate de urgência solicitado pelo Chega sobre a “Saúde Financeira dos Hospitais da Região e as implicações no Serviço Regional de Saúde".A deputada deu o exemplo dos hospitais de Cascais, Braga, Vila Franca de Xira e Loures para referir que a “gestão clínica privada” gerou poupanças de 203 milhões de euros, defendendo a realização de PPP para as maiores unidades de saúde dos Açores.“O Chega propõe uma solução: contratualizar a gestão dos três hospitais através de parcerias público-privadas. Não é uma ideia nova, nem uma aventura”, declarou.Hélia Cardoso alertou que a atividade corrente do Hospital Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, aumentou quase 43 milhões de euros entre 2023 e 2025, para um total de 211,4 milhões de euros em 2025.A deputada criticou, também, a construção de um hospital modular no perímetro do HDES na sequência do incêndio de maio de 2024, uma decisão que deixou o Governo Regional “orgulhosamente só”.“A decisão de instalar o hospital modular, tomada sem uma avaliação ponderada, está a revelar-se um sorvedouro de fundos. O dinheiro sai, mas não regressa sob a forma de mais e melhores cuidados de saúde. Afeta o Hospital de Ponta Delgada em particular e o Serviço Regional de Saúde no seu conjunto”.Hélia Cardoso afirmou que o HDES fez menos 1.209 cirurgias programadas e tratou menos 2.271 doentes em internamento, apesar do aumento de 2.174 consultas entre 2023 e 2025.Já no hospital da Terceira (que já funciona em regime de PPP, concessionado à sociedade anónima Haçor), os “gastos operacionais cresceram 17%” e registaram-se “menos 1.730 consultas, menos 111 cirurgias eletivas, menos 14 cirurgias de ambulatório” e “menos 496 sessões de hospital de dia”, entre 2023 e 2025.No hospital da Horta, referiu, foram gastos “mais nove milhões de euros em dois anos”, mas foram realizadas “menos 670 primeiras consultas e menos 152 cirurgias programadas, das quais 131 de ambulatório”.“Não podemos continuar a fazer igual e esperar resultados diferentes”, insistiu.