Chega/Açores pede transferência de quota de pescado e alerta que executivo pode voltar a “cair”

30 de ago. de 2025, 19:20 — Lusa

No final de uma reunião com pescadores do porto de São Mateus, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde a quota de pesca de alfonsim e de goraz foi esgotada, José Pacheco adiantou que o partido vai apresentar uma resolução ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) para que, até final do ano, seja aberta “a quota regional para todos”.“Eles [pescadores] estão a apanhar 80 toneladas, nós podemos ir até 150 toneladas. […] Porque é que se está a restringir?”, questionou o também líder parlamentar do Chega/Açores.José Pacheco disse que o partido não se irá calar, até os governantes perceberem que o mar dos Açores “é dos açorianos, gostem, não gostem, queiram ou não queiram”.Na sua opinião é possível transferir as toneladas de pesca ainda disponíveis na região “para as ilhas todas” e “criar um equilíbrio”.“Nós somos uma única região, chama-se Açores. Não há aqui ilha A, ilha B, ilha C. Quando o pescador das Flores estiver feliz e o pescador de Santa Maria estiver feliz, o pescador de São Miguel tem que estar feliz também e o da Terceira também”, afirmou.Questionado por a Associação Terceirense de Armadores ter exigido a demissão do secretário regional do Mar e das Pescas, na sequência da rejeição de alfonsim atirado ao mar, e de o presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, em declarações à RTP-Açores, ter afirmado que mantém a confiança pessoal e política no governante, Pacheco lembrou que o anterior executivo de coligação não chegou ao fim da legislatura e que o atual também pode “cair”.“Eu não tenho medo das palavras e não faço ameaças. O senhor presidente do Governo sabe muito bem. Sabem porquê? Esse Governo já caiu uma vez. Se tiver de cair mais uma, cai mais uma”, declarou o líder regional do Chega, partido que tem cinco lugares no parlamento dos Açores.José Pacheco acrescentou que os políticos não podem “trabalhar contra as pessoas” e aquilo que está escrito nos cartazes do Chega é “para se levar a sério”.“Somos a voz do povo e vamos ser a voz do povo, quer esses senhores gostem, quer não gostem. Um presidente do Governo que acha que se pode manter um secretário em funções contra a voz do povo, contra a vontade do povo […] se calhar, está na altura de se por a andar”, concluiu.A Associação Terceirense de Armadores exigiu terça-feira a demissão do secretário regional do Mar e das Pescas, na sequência da rejeição de pescado (alfonsim), atirado ao mar.“É isso que eu tenho a dizer ao Governo Regional. Que o demita [Mário Rui Pinho] o mais rápido possível para que as pescas andem para a frente. Não andam para a frente por causa do secretário das Pescas que temos”, acusou Paulo Melo, presidente da direção da Associação Terceirense de Armadores, em declarações aos jornalistas.O armador terceirense reagia às críticas feitas por Mário Rui Pinho, que não gostou de ver os pescadores daquela ilha a devolverem ao mar dezenas de exemplares de alfonsim, capturados acidentalmente, e rejeitados por já não existir quota suficiente atribuída para a captura daquela espécie.O governante, que já tinha afirmado que os pescadores terceirenses estavam a fazer uma má gestão da quota atribuída à sua ilha, e que pareciam estar a “pedir” para serem autuados pela Inspeção Regional das Pescas, desvalorizou as críticas dos armadores e garantiu que se vai reunir com o setor.O secretário regional do Mar e das Pescas lembrou que foi a União Europeia quem determinou a aplicação de quotas e taxas para as várias espécies de peixe que são capturadas nos Açores, e que ao Governo Regional compete apenas gerir as quotas, em parceria com as associações de pesca.