Chega/Açores pede intervenção do Presidente da República no reembolso das passagens aéreas
Hoje 15:54
— Lusa/AO Online
Para o partido é preciso
resolver "o quanto antes" a questão do agora chamado mecanismo de
continuidade territorial (que substituiu o subsídio social de
mobilidade), para que a lei "seja efetivamente cumprida e o quanto
antes".O assunto foi abordado numa
reunião dos deputados do Chega açoriano José Pacheco e Olivéria Santos
com a representante da República para os Açores, Susana Goulart Costa.O
partido referiu em comunicado que este foi o tema central da reunião
com Susana Goulart Costa, a quem indicaram a necessidade "de se resolver
um imbróglio que se arrasta há demasiado tempo, sem que a lei esteja a
ser cumprida, aprisionando os açorianos no arquipélago por terem de
despender, aquando da marcação da passagem, do [valor] total da fatura"."Nem
todas as famílias têm dinheiro para avançar logo aquando da marcação da
passagem e esperar pelo reembolso. Temos queixas de pessoas que estão à
espera há meses para que o processo seja validado", referiu o líder
regional e parlamentar do Chega/Açores, José Pacheco, citado na nota.Na
reunião, segundo o partido, foi ainda abordada a questão dos edifícios
da República nos Açores que "estão decadentes e em muito mau estado de
conservação", tendo sido pedido que haja uma "intervenção séria da
República nestes edifícios e que se passem alguns para a tutela da
região".A capitação do IVA, a importância
de uma revisão da Lei de Finanças Regionais, o usufruto da Base das
Lajes por parte dos Estados Unidos da América sem contrapartidas, a
necessidade de uma política de transportes marítimos "eficaz e
eficiente", foram outros assuntos abordados na reunião, a par da
estabilidade governativa nos Açores. "Ultimamente
tem-se voltado a fomentar o bairrismo, tem-se colocado ilhas contra
ilhas e isso tem gerado grande instabilidade política que precisa de ser
resolvida com urgência, a bem de todos os Açores. Isso não é
admissível. Nesta situação, se o Chega fosse Governo, pediria a
confiança do parlamento [regional]. Deixaria nas mãos do parlamento um
voto de confiança", declarou José Pacheco.O
Chega assume que é "bastante crítico" em relação ao cargo de
representante da República e defende que devia ser extinto, sendo a
fiscalização da constitucionalidade da legislação regional feita pelo
Tribunal Constitucional e não através de uma figura que "apenas serve de
elo de ligação entre a República e os Açores". No entanto, José Pacheco
ressalva que enquanto o cargo existir tem todo o respeito institucional
do partido."Mas o Chega não vai desistir
de pedir a extinção deste cargo que é ofensivo para a nossa maturidade
autonómica. 50 anos de autonomia já nos garantem alguma maturidade, sem
termos de estar a ser vigiados pela República", concluiu.Em
março de 2025, o executivo definiu um novo modelo de atribuição do
então subsídio social de mobilidade (agora mecanismo de continuidade
territorial) criando uma plataforma eletrónica para que os passageiros
dos Açores e da Madeira pudessem fazer o pedido de reembolso das
passagens de forma digital.Criada em 2015,
a medida prevê a atribuição de um reembolso a residentes, residentes
equiparados e estudantes das duas regiões autónomas, que resulta da
diferença entre o custo elegível da passagem, paga na íntegra pelo
passageiro, e a tarifa máxima suportada pelo residente, definida por
portaria.Nos Açores, a tarifa máxima
suportada pelos residentes nas viagens (ida e volta) para o continente é
de 119 euros e a suportada pelos estudantes é de 89 euros.Nas
ligações entre a Madeira e o continente, a tarifa máxima para os
residentes é de 79 euros e a dos estudantes de 59 euros, e nas
deslocações entre os dois arquipélagos, a tarifa máxima dos residentes é
de 79 euros e a dos estudantes de 59 euros.