Chega/Açores pede explicações urgentes ao Governo Regional sobre operação “Last Call”
Hoje 11:35
— Lusa/AO Online
O partido adiantou
em comunicado que entregou no parlamento açoriano um requerimento
“a exigir explicações urgentes ao Governo Regional sobre a denominada
operação ‘Last Call’, conduzida pela Polícia Judiciária, que investiga
suspeitas graves de corrupção, abuso de poder e favorecimento indevido
com dinheiros públicos”.“Em causa estão
alegados contratos no setor do turismo, com possível envolvimento da
VisitAzores e ligações a operadores privados como a Ryanair, num
processo que já levou a buscas a instalações governamentais”,
acrescentou.No requerimento, o
Chega/Açores exige “esclarecimentos concretos sobre contratos, montantes
envolvidos, papel das entidades públicas e eventuais responsabilidades
dentro do Governo Regional”.O líder
parlamentar do partido nos Açores, José Pacheco, citado na nota, afirma
que os açorianos “têm o direito de saber se o dinheiro público foi usado
para servir interesses privados. E, se foi, alguém tem de assumir
responsabilidades”.Pacheco considera que “não basta dizer que a justiça está a investigar”, alegando que “quem governa tem de dar a cara”.“Se
há suspeitas desta gravidade dentro da máquina governativa, então há
responsabilidades políticas que têm de ser assumidas, doa a quem doer”,
defende.Na nota, o partido considera
“inaceitável qualquer tentativa de desvalorização do caso” e alerta para
o impacto na credibilidade das instituições.“Estamos
a falar de fundos públicos e, possivelmente, de fundos europeus. Isto
não é um detalhe administrativo, é um problema sério de confiança no
sistema”, justificou José Pacheco.Para o
líder parlamentar e dirigente regional do Chega açoriano, “o tempo das
meias respostas acabou” e os açorianos “não querem discursos, querem
respostas. Quem decidiu, quem autorizou e quem beneficiou? É isto que
tem de ser esclarecido”.O partido “não
permitirá que este caso seja abafado e garante que levará o tema até às
últimas consequências políticas e institucionais”.“Se houver responsabilidades, têm de existir consequências. Nos Açores não pode haver intocáveis”, conclui José Pacheco.O
secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo
Estêvão, disse na terça-feira que as buscas realizadas naquele dia pela
PJ ocorreram em “vários locais da administração regional”, assegurando
que há “total colaboração com as autoridades” por parte do executivo.A
PJ realizou uma operação policial nos Açores e em Lisboa, no âmbito de
um inquérito por “suspeitas do favorecimento de uma companhia aérea por
parte de uma entidade pública” e constituiu cinco arguidos.Em
comunicado, a PJ adiantou que a operação "Last Call" foi desenvolvida
através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, tendo sido
realizadas buscas nas ilhas de São Miguel, Terceira e Faial e em Lisboa.“No
âmbito das diligências realizadas, foram recolhidos importantes
elementos de prova dos factos em investigação, tendo sido constituídos
cinco arguidos”, ainda segundo a PJ.A
operação policial permitiu o cumprimento de 14 mandados de busca e
apreensão em domicílios, organismos públicos, associações de direito
privado e escritórios de advogados, “no âmbito do inquérito onde se
investiga a prática dos crimes de fraude na obtenção de subsídio ou
subvenção, prevaricação, participação económica em negócio e abuso de
poderes”, lê-se na nota.Ainda de acordo
com a PJ, em causa “estão suspeitas do favorecimento de uma companhia
aérea por parte de uma entidade pública, designadamente através de
financiamento ilegal na adjudicação indevida de contratos financiados
pelo Programa Operacional dos Açores 2030”.Fonte
do executivo adiantou à agência Lusa que as buscas foram realizadas nas
instalações da Direção Regional do Turismo (em Ponta Delgada e na
Horta) e na Direção Regional do Planeamento e Fundos Estruturais (Angra
do Heroísmo).