Chega/Açores pede esclarecimentos sobre financiamento das obras do Hospital de Ponta Delgada
20 de jul. de 2026, 14:40
— Lusa/AO Online
O
programa funcional para as obras no HDES, no seguimento do incêndio de
há dois anos, foi apresentado, na sexta-feira, pelo presidente do
Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, aos partidos com
assento parlamentar.Como o Chega/Açores
mantém as dúvidas quanto ao financiamento das obras, o grupo parlamentar
enviou um requerimento à Assembleia Legislativa Regional, onde pede ao
executivo açoriano esclarecimentos sobre o pagamento de 85% do valor
pelo Governo da República.“Importa
esclarecer se existe efetivamente um compromisso vinculativo do Governo
da República para financiar a intervenção anunciada ou se, pelo
contrário, apenas existe uma previsão genérica de duas resoluções do
Conselho de Ministros, que fazem depender o financiamento da definição e
validação das despesas consideradas elegíveis”, afirmou o líder
parlamentar do Chega açoriano, José Pacheco, citado numa nota de
imprensa do partido.Pacheco alertou que se
trata de uma obra de “enorme envergadura” e é preciso saber “se há
realmente garantias” de que a República “também vai avançar com o
investimento”, pois, caso contrário, pode estar a ser hipotecado o
futuro dos açorianos.“Se a região tiver de
assumir todo o investimento, vai haver riscos financeiros, porque
sabemos que a região não está muito saudável financeiramente”, afirmou.No
requerimento, os parlamentares do Chega/Açores questionam se existe
algum documento formal, por parte do Governo da República, relativamente
ao financiamento das obras, além de duas resoluções do Conselho de
Ministros (uma de 05 de julho e outra de 16 de 0utubro de 2024) e querem
saber qual o valor total que o Governo Regional considera atualmente
elegível para efeitos de comparticipação.Também
perguntam se houve confirmação da inscrição das verbas necessárias no
Orçamento do Estado ou em qualquer outro instrumento financeiro da
República para suportar os investimentos previstos, e que verbas o
Governo Regional prevê inscrever no Orçamento Regional para 2027 para o
arranque do processo.“Caso o custo final
da intervenção ultrapasse o valor atualmente estimado, quem suportará as
eventuais derrapagens financeiras? Caso parte das despesas venha a ser
considerada não elegível pela República, qual o impacto financeiro
previsto para a Região Autónoma dos Açores?”, questionam.Os
parlamentares pedem, ainda, informações sobre a calendarização prevista
para elaboração dos projetos, lançamento do concurso público,
adjudicação, início da obra e conclusão da empreitada.O
presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, disse,
na sexta-feira, esperar que o redimensionamento do HDES esteja
concluído no “final desta década” e que “a proposta que o Governo
Regional apresentará para o Orçamento de 2027 garante já verbas
necessárias ao início de todo o processo”.O
maior hospital dos Açores sofreu um incêndio a 4 de maio de 2024, que
obrigou à transferência de todos os doentes para outras unidades de
saúde da região, da Madeira e do continente, tendo sido construído um
hospital modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos
cuidados de saúde.Na apresentação do
programa funcional, Bolieiro recordou que o Governo da República
“comprometeu-se em assegurar o financiamento em 85%” para a obra de
redimensionamento do hospital, mas admitiu que “pode haver ainda
soluções mais favoráveis”, como o financiamento comunitário.