Chega/Açores insiste na prioridade de filhos de pais com emprego no acesso à creche
Hoje 10:00
— Lusa/AO Online
“O Chega não aceitará que os
filhos de quem trabalha sejam continuamente empurrados para o fim da
fila. A prioridade tem de ser dada às famílias trabalhadoras e não à
política do facilitismo que destrói o mérito e o esforço”, afirma o
líder do Chega na região, José Pacheco, citado em comunicado.O
partido destaca que continuam a existir “denúncias de famílias que
trabalham e que continuam sem conseguir vagas nas creches para os
filhos”, apesar da resolução aprovada na Assembleia Regional que altera
as regras de admissão nas creches, “dando prioridade a crianças com pais
trabalhadores”.O Chega/Açores revela ter
submetido um requerimento a “pedir explicações” ao Governo dos Açores
(PSD/CDS-PP/PPM) sobre os “critérios usados na atribuição de vagas”, o
número de crianças em lista de espera e “quantas dessas crianças são
filhas de pais trabalhadores”.“Há pais
obrigados a reduzir horários, a faltar ao trabalho e até a abandonar
empregos porque simplesmente não têm onde deixar os filhos”, refere José
Pacheco.O partido pretende saber “quantas
vagas foram efetivamente criadas desde a gratuitidade das creches” e
“quais os mecanismos de fiscalização existentes”, considerando a
situação atual “revoltante” e acusando o Governo Regional de “preferir
gastar dinheiro em favores e guerras políticas”. “Numa
região com um grave problema demográfico e perda constante de população
jovem, os pais trabalhadores são tratados desta forma. Quem trabalha
devia ser prioridade absoluta. Mas, nos Açores parece que o esforço, o
trabalho e o sacrifício valem cada vez menos”, lê-se na nota de
imprensa.Em 12 de julho de 2024, o
parlamento açoriano aprovou uma resolução do Chega (sem força de lei)
que recomenda ao Governo Regional que altere as regras no acesso às
creches gratuitas nos Açores, para dar prioridades às crianças com pais
trabalhadores, justificando a mudança com a falta de vagas para a
crescente procura no arquipélago.A medida
foi contestada por alguns partidos políticos e associações, que
consideraram a resolução discriminatória e penalizadora para as crianças
de famílias com menores recursos financeiros e com desemprego.A aprovação na Assembleia Legislativa contou com os votos favoráveis de Chega, PSD, CDS-PP e PPM e a abstenção da IL.Na
altura, o presidente do Governo dos Açores rejeitou que se criem
“fantasmas de discriminação negativa” devido à aprovação de uma proposta
do Chega para priorizar filhos de pais trabalhadores no acesso à
creche.“Ultrapassados os critérios que são
os prioritários e ainda em situação de empate numa procura [pela
creche], é razoável eventualmente perceber, não para discriminar, que
quem tem mais facilidade em tomar conta dos filhos é quem tem tempo e
disponibilidade”, afirmou José Manuel Bolieiro.Em
agosto de 2025, governo açoriano indicou que o critério que prioriza
filhos de pais trabalhadores no acesso à creche vai continuar a ser
aplicado em projetos-piloto em Ponta Delgada e Angra do Heroísmo, em
resposta a um requerimento do Chega.