Chega/Açores diz que apoio à natalidade exclusivo nas farmácias pode "evitar fraude"
13 de out. de 2022, 15:12
— Lusa/AO Online
Em conferência de imprensa na sede
da Assembleia Legislativa em Ponta Delgada, José Pacheco, que tem um
acordo de incidência parlamentar com a coligação de governo, notou que a
medida apresentado na quarta-feira pelo governo “é do Chega”, era “uma
das condições” para aprovar o Orçamento Regional de 2022 e para “as
coisas puderem avançar” quanto ao Orçamento de 2023.“Obviamente,
queremos que o apoio chegue a todos os açorianos [a medida anunciada
restringe-se aos 12 concelhos que apresentaram uma quebra populacional
acima dos 5% nos últimos censos]. Vamos estar um ano a fazer esta
análise. Tínhamos dúvidas quanto a ser nas farmácias, mas percebemos que
assim ia evitar alguma fraude – o dinheiro ia ser usado de forma
abusiva, não para as crianças mas para os pais, naquilo que quisessem
comprar”, observou.O vice-presidente do
Governo Regional apresentou na quarta-feira o programa Nascer Mais, que
se traduz “na disponibilização de um ‘plafond’ de 1 500 euros a utilizar
em qualquer farmácia da região, para a aquisição de um conjunto de
produtos e bens destinados à promoção do bem-estar da criança”.José
Pacheco indicou que já foram equacionadas alternativas ao uso exclusivo
da verba nas farmácias e que já existem “outras soluções”, mas o
programa vai ser analisado durante um ano para “perceber se funciona ou
não e o que precisa melhorar”.Por agora, o deputado considera que “o facto de ser nas farmácias é positivo”.“Queríamos
ter a certeza de que o dinheiro era usado em prol das crianças. Sempre
foi o nosso propósito e, sendo nas farmácias, é muito mais fácil de
fiscalizar e o dinheiro não ser mal usado”, afirmou.Quanto
à restrição da medida aos 12 concelhos que perderam população, o
parlamentar admitiu não ser o que se pretende “no futuro”.“Mas, como projeto-piloto, vai ao encontro do que pedíamos. Queremos que todos os açorianos tenham direito”, explicou.Sobre
o próximo Orçamento Regional, a ser debatido no parlamento em novembro,
José Pacheco explicou que há novas reivindicações e negociações para a
aprovação do documento.“O governo já
anunciou uma das reivindicações do Chega [para o Orçamento de 2023]. Os
açorianos que beneficiam do Complemento Regional de Pensão, o chamado
cheque pequenino, vão ter um aumento de 15%”, indicou. Além disso, o Chega reivindica o “cheque saúde” e está “a negociar uma série de outros aspetos”.Quanto
ao cheque saúde, “está negociado com o governo a inclusão, no
Orçamento, da verba” necessária e “a legislação está pronta e vai ser
apresentada em breve”.A ideia é que,
quando “não se cumprirem os prazos” relativos à prestação de cuidados de
saúde no Serviço Regional, a região “passa a dar um ‘voucher’ ou a
fazer o pagamento direto no privado”.“Não
podemos ter uma saúde para ricos e para pobres, que não tem outro
remédio senão esperar. E quem vai ao privado, porque tem dinheiro, paga
duas vezes – paga no privado e também paga o Serviço Regional de Saúde
(SRS)”, disse.O Chega/Açores avisou, a 15
de setembro, que tem feito “propostas razoáveis” ao Governo Regional
(PSD/CDS-PP/PPM) para o Orçamento Regional de 2023, notando que “não faz
chantagem, apresenta soluções”, e admitiu que “não há nada” se o
partido não for ouvido.Sobre as propostas
concretas que podem determinar o sentido de voto do Chega no Orçamento
Regional de 2023, José Pacheco referiu o chamado “cheque pequenino”, ou
seja, o Complemento Regional de Pensão e “uma novidade, o cheque saúde”,
para combater os atrasos nas consultas e cirurgias no Serviço Regional
de Saúde.O deputado referiu ainda a
necessidade de apoiar os trabalhadores, que “não recebem apoios como os
subsidiodependentes”, mas não quis especificar qual a medida em concreto
em debate nas negociações com o Governo.“Não vou concretizar porque ainda não estamos em fase de diálogo e conversa”, justificou. “Temos
de nos focar nos açorianos que não vivem à custa do Estado, nos
pagadores, que já começaram a ser pobres e não recebem os apoios que
outros recebem. Os apoios devem ser justos para quem precisa. Quem não
quer trabalhar… não contem comigo”, frisou.