Chega/Açores diz que açorianos não podem ser o “banco da SATA”
Hoje 10:55
— Lusa/AO Online
Segundo uma nota de imprensa do
partido, “sempre que a SATA entra em dificuldades, quem acaba por pagar
são os açorianos”, ressalvando que, “se a operação correr mal, são os
contribuintes açorianos que ficam responsáveis pela conta”.O
Governo dos Açores aprovou na terça-feira a concessão de um aval de 55
milhões de euros à SATA e o caderno de encargos para a privatização
total do ‘handling’, no âmbito do plano de reestruturação do grupo.“O
Chega sempre defendeu que a SATA Internacional devia ser privatizada,
antes que continuasse a arrastar as finanças públicas para um buraco
cada vez maior. Infelizmente, os sucessivos governos preferiram adiar
decisões, acumulando prejuízos e fazendo crescer a dívida que recai
sobre todos os açorianos”, refere o partido. Citado
na nota de imprensa, o líder parlamentar do Chega/Açores, José Pacheco,
refere que “os açorianos não podem continuar a ser o banco da SATA”,
sendo “tempo de acabar com esta gestão baseada em sucessivos empréstimos
e garantias públicas, exigir responsabilidades e colocar, finalmente,
os interesses dos açorianos acima dos interesses de quem governa”.Já o PS/Açores refere que os avales à SATA “excedem em 157,5 milhões de euros o montante autorizado pela Comissão Europeia”.O
vice-presidente do grupo parlamentar do PS/Açores, Carlos Silva, citado
em nota de imprensa, refere que a Comissão Europeia “autorizou, em
2022, um auxílio estatal à SATA no montante global de 453,25 milhões de
euros, dos quais apenas 135 milhões de euros correspondiam à concessão
de avales públicos".Segundo o deputado da
oposição, em 2022, a SATA Holding “contratou empréstimos no montante de
135,5 milhões de euros, garantidos por aval da Região Autónoma dos
Açores”.Em 2025, “apesar da amortização de
apenas 6 milhões de euros desse financiamento, foram contratados novos
empréstimos no valor de 85 milhões de euros, igualmente garantidos por
aval público”, segundo o socialista.“Já em
2026, a empresa voltou a recorrer ao crédito, contraindo mais 80
milhões de euros de dívida avalizada, distribuídos por 25 milhões de
euros em janeiro e 55 milhões de euros em julho”, acrescentou. A
bancada socialista apresentou, entretanto, um requerimento na
Assembleia Legislativa dos Açores para “esclarecer qual o fundamento
jurídico que sustentou a concessão destes novos avales”, bem como se o
Governo Regional “notificou previamente a Comissão Europeia ou obteve
qualquer autorização adicional para o efeito”.Entretanto,
o BE/Açores, num requerimento submetido ao parlamento, quer saber qual o
fim específico do financiamento de 55 milhões de euros concedido pela
região e se este montante será canalizado sob forma de empréstimos ou
adiantamentos para a SATA Internacional ou para a SATA Handling.Caso
se “confirme a transferência destas verbas para as empresas a
privatizar”, o deputado único do Bloco, António Lima, interroga qual o
valor que “será efetivamente devolvido, ou reembolsado, por essas
empresas no âmbito de uma eventual privatização ou se o mesmo será
objeto de perdão, assunção ou abatimento por parte da ‘holding’, esfera
pública, tal como já foi anunciado para a restante dívida intergrupo”.“Apesar
da invocação do cumprimento do plano comunitário, na resolução do
Governo que autoriza o aval, subsistem dúvidas prementes quanto ao
impacto financeiro desta operação no futuro do grupo SATA e do Orçamento
da região tendo em conta as especificidades estruturais”, afirma o
BE/Açores.A Comissão Europeia aprovou em
junho de 2022 uma ajuda estatal para apoio à reestruturação da Azores
Airlines de 453,25 milhões de euros em empréstimos e garantias estatais,
prevendo medidas como uma reorganização da estrutura e o
desinvestimento de uma participação de controlo (51%).