Chega/Açores alerta para dificuldades financeiras das filarmónicas na região
30 de mar. de 2023, 10:35
— Lusa/AO Online
“Tenho
manifestado o meu descontentamento pela forma como a cultura tem sido
tratada nos Açores. Estamos a ver uma série de filarmónicas com grandes
dificuldades e algumas mesmo a fechar. Há sítios que, com muita pena
minha, não posso visitar, porque já não existem. Há grupos folclóricos e
grupos de teatro que desapareceram”, afirmou o deputado do Chega nos
Açores, José Pacheco.O parlamentar falava,
em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita à Sociedade
Filarmónica Lira Espírito Santo, na Vila Nova, no concelho da Praia da
Vitória, que marcou o início de uma visita oficial à ilha Terceira.Segundo
José Pacheco, a infraestrutura necessita de obras de manutenção orçadas
em cerca de 65 mil euros, tendo infiltrações e madeiras apodrecidas
debaixo do palco.O deputado admitiu que
não é um caso único nos Açores, apontando como exemplo escolas “com
portas presas com arames” e centros de formação “onde chove lá dentro”,
mas considerou a situação “inaceitável”.Para José Pacheco, o financiamento das filarmónicas tem de passar por uma ligação entre o turismo e a cultura.Os
apoios às filarmónicas “existem” - e o processo de candidatura até vai
ser “simplificado” - mas não são “suficientes”, por isso, o deputado do
Chega propõe que o executivo açoriano contrate os músicos para animação
turística.“Se nós queremos ter turistas,
temos de os animar. Não precisamos de subsidiar uma filarmónica,
compramos os serviços, [contratamos] 10, 15 espetáculos ou arruadas e
está o problema resolvido”, apontou.O
parlamentar do Chega sublinhou que é preciso “mostrar aos turistas que
há muito mais do que pastagem e vacas” nos Açores, defendendo uma maior
promoção das tradições da ilha Terceira, como o Carnaval, as festas do
Espírito Santo e as festas Sanjoaninas.Questionado
sobre se o Chega apresentaria alguma proposta para apoiar as
filarmónicas no Parlamento açoriano, José Pacheco disse que o partido
está a tentar, na Assembleia da República, isentar as tradições e festas
populares de direitos de autor.“Este
roubo que está a haver com os direitos de autor, que para os autores vai
muito pouco, temos de combater isto e não podemos sobrecarregar as
pequenas instituições e associações, que ainda vão fazendo alguma coisa
com mais tachas e tachinhas”, frisou.Na
ilha Terceira, que visita durante três dias, José Pacheco alertou ainda
para a falta de investimento na manutenção de estradas.“Quem
sai do aeroporto das Lajes e dirige-se a Angra do Heroísmo, percebe
facilmente que muitas das questões da Terceira foram abandonadas, ao
andar naquela estrada cheia de buracos”, vincou.