Chefes de diplomacia da UE discutem “encruzilhada”
Afeganistão
17 de ago. de 2021, 06:42
— Lusa/AO Online
A
reunião extraordinária foi convocada na segunda-feira pelo Alto
Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, um dia após
os talibãs terem entrado em Cabul, forçando a uma retirada apressada dos
diplomatas e cidadãos de países ocidentais e afegãos que colaboraram
com a comunidade internacional, uma operação de evacuação que está a
processar-se sob condições extremamente delicadas.Por
ocasião do anúncio da convocatória da videoconferência, Borrell,
adiantando que o encontro visa proporcionar “uma primeira avaliação” da
situação, comentou que “o Afeganistão encontra-se numa encruzilhada”,
sublinhando que “a segurança e o bem-estar dos seus cidadãos, bem como a
segurança internacional, estão em jogo”.A
secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias, vai
representar Portugal na reunião, com início previsto para as 16h00 em
Bruxelas (15h00 em Lisboa).Na
segunda-feira, em declarações à Lusa, o ministro dos Negócios
Estrangeiros, Augusto Santos Silva, revelou que, dos 16 civis
portugueses que estavam no Afeganistão, 12 já saíram do país e quatro
continuam em funções operacionais no aeroporto de Cabul.Sublinhando
que Portugal não tem, “neste momento, nenhum motivo de preocupação com
essa dimensão de portugueses civis que ainda estão em Cabul”, Santos
Silva garantiu que os que ainda estão naquele país “serão retirados
proximamente, à medida que as atividades de controlo do tráfego aéreo no
aeroporto de Cabul deixarem de ser responsabilidade da comunidade
internacional”.Portugal
está ainda, de acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros, a fazer
uma identificação dos afegãos que colaboraram com a comunidade
internacional e que, “portanto, possam correr risco de vida ou de
segurança”.No
domingo, o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, adiantara que
Portugal vai integrar a operação da UE e da NATO para proteger cidadãos
no Afeganistão e está disponível para receber afegãos.Segundo
Gomes Cravinho, o número de refugiados a receber em Portugal ainda está
a ser avaliado, mas a força portuguesa destacada no país nos últimos
anos somava “243 funcionários afegãos, mais as suas famílias”.Depois
de várias ofensivas iniciadas em maio deste ano, na sequência do
anúncio dos Estados Unidos da retirada final dos seus militares do
Afeganistão, os talibãs conquistaram no domingo a última das grandes
cidades que ainda não estavam sob seu poder, a capital, tendo declarado o
fim da guerra no país e a sua vitória.O
Presidente afegão, Ashraf Ghani, abandonou o país no domingo, quando os
talibãs estavam às portas da capital, enquanto os líderes do movimento
radical islâmico se apoderavam do palácio presidencial.A
entrada das forças talibãs em Cabul pôs fim a uma campanha militar de
duas décadas liderada pelos Estados Unidos e apoiada pelos seus aliados,
incluindo Portugal. As
forças de segurança afegãs, treinadas pelos militares estrangeiros,
colapsaram antes da entrada dos talibãs na cidade de Cabul.Milhares
de afegãos, em Cabul, tentam fugir do país e muitos dirigiram-se para o
aeroporto internacional onde a situação é caótica.