Chefes da guarda prisional iniciam greve na 2-º feira que deixa prisões no "fio da navalha"
13 de nov. de 2020, 18:06
— Lusa/AO Online
Hermínio Barradas
lamentou à agência Lusa que, após a vigília realizada pelos membros da
Associação Sindical de Chefias Corpo da Guarda Prisional (ASCCGP)
defronte do Ministério das Finanças, para exigir o desbloqueamento de
meios necessários ao funcionamento do sistema prisional, o Governo não
tenha dado resposta aos problemas, pelo que a greve ao trabalho
suplementar (entre as 16:00 e as 8:00 do dia seguinte) vai iniciar-se na
segunda-feira por tempo indeterminado.Durante
aquele período - que abrange quatro turnos - os estabelecimentos
prisionais vão ficar só com um chefe (ou no limite com um guarda
principal) à frente da cadeia, situação que disse "roçar o fio da
navalha em termos de funcionalidade das cadeias".O
presidente da ASCCGP reconheceu que a greve ocorre numa altura
particularmente difícil para o sistema prisional, devido aos surtos de
covid-19 ocorridos nos estabelecimentos prisionais de Tires (feminino) e
de Lisboa, e admitiu que as "dificuldades que já eram terríveis" em
termos de funcionamento se possam vir a agravar.Com
o surgimento dos surtos por covid-19, o presidente da ASCCGP
manifestou-se também preocupado com a situação prevista para o Natal,
quando habitualmente centenas de reclusos gozam de saídas precárias para
poderem passar a data natalícia com as respetivas famílias.Segundo
explicou, as saídas precárias dos reclusos por um período de três dias
podem ser decididas pelo diretor da cadeia, sendo as mais longas (sete
dias) da competência do juiz do Tribunal de Execução de Penas (TEP).O
dirigente sindical considera que o sistema prisional não tem neste
momento "capacidade para fazer o isolamento" dos reclusos que possam vir
a beneficiar de saídas precárias no Natal.Quanto
à greve ao trabalho suplementar por tempo indeterminado, Hermínio
Barradas salientou que "é a primeira vez que existe uma greve promovida
por chefes da guarda prisional", observando que perto de 300
profissionais, quer sejam associados ou não do sindicato, estão prontos
para aderir ao protesto.No final de
outubro, na vigília junto ao Ministério das Finanças (MF), em Lisboa,
Hermínio Barradas esclareceu que a iniciativa se relacionava com "a
falta de locação de recursos" financeiros, com vista à "resolução dos
problemas do sistema prisional".Segundo
aquele dirigente sindical, as reivindicações dos chefes da guarda
prisional estão já validadas em atas pelo Ministério da Justiça (MJ) e
pela Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), mas "não
são concretizadas pela locação de recursos do Ministério das Finanças".Na
altura, o mesmo responsável realçou que o sistema prisional é uma
"necessidade social impreterível", mas que não estão a ser alocados
meios para que o sistema e a chefia da guarda possam desempenhar a sua
missão."Os recursos são escassos", disse
então Hermínio Barradas, observando que existe um "défice de pessoal" e
um "envelhecimento terrível do pessoal", situação que se está a agravar
com a atual aposentação de vários elementos e a passagem à reforma de
outros nos próximos tempos.Segundo o
presidente da ASCCGP, o MJ e a DGRSP estão “a par da situação" e dos
problemas que afligem o sistema prisional, mas estão de "mãos atadas"
por via do MF, reconhecendo que o Ministério dirigido por Francisca van
Dunem acaba por estar refém do MF, devido ao não desbloqueamento de
verbas.A falta de recursos concedidos pelo
MF à DGRSP, disse então, está a comprometer o funcionamento do sistema
prisional e os direitos dos reclusos, afetando as idas aos hospitais e
centros de saúde, bem como deslocações aos tribunais e atividades
letivas dos presos.