Chefe do Pentágono diz que EUA enfrentarão anos decisivos em confronto com China
4 de dez. de 2022, 01:41
— Lusa /AO Online
O discurso de Austin no Reagan National Defense Fórum concluiu uma semana na qual o chefe do Pentágono elegeu como tema o crescente poderio da China, e o seu significado para a posição que os Estados Unidos devem adotar à escala internacional.Na segunda-feira, divulgou um relatório anual de segurança sobre a China no qual adverte que Pequim deverá possuir 1.500 ogivas nucleares em 2035, sem ser óbvia a forma como a China pretende utilizá-las.E na sexta-feira, Austin congratulou-se com a apresentação do novo bombardeiro estratégico furtivo B-21 Raider, como parte da resposta do Pentágono às crescentes preocupações sobre um futuro conflito com a China.“A China é o único país que garante em simultâneo a vontade, e um crescente poder, para reformular a sua região e a ordem internacional para garantir a suas opções autoritárias”, considerou hoje Austin. “Deixem-me ser claro: não deixaremos que isso aconteça”, declarou.O Pentágono também está preocupado com a Rússia e mantém o compromisso de continuar a fornecer armamento à Ucrânia e evitar em simultâneo uma escalada que implique uma guerra dos EUA com Moscovo, assinalou no seu discurso no fórum que decorreu na Ronald Reagan Presidential Library.“Não seremos arrastados para a guerra de Putin”, disse Austin.“Os próximos anos vão estabelecer os termos da nossa competição com a República Popular da China. Vão desenhar o futuro da segurança da Europa”, prosseguiu. “E determinar se os nossos filhos e netos vão herdar um mundo aberto de regras e direitos, ou se vão enfrentar estimulados autocratas que pretendam dominar pela força e medo”.Austin frisou que, entre as duas ameaças de potências nucleares, a China permanece o maior risco.Para enfrentar a situação, precisou, “vamos adaptar o nosso orçamento ao desafio que representa a China e como nunca antes sucedeu”. “No nosso mundo imperfeito, a dissuasão deve surgir através da força”.O chefe do Pentágono também anunciou um orçamento elevado para novos investimentos em armamento nuclear até 2046, estimado em 1,2 biliões de dólares, onde se inclui o B-21 Raider.O departamento da Defesa garante o maior orçamento discricionário de todas as agências federais, e pode receber até 847 mil milhões de dólares (805 mil milhões de euros) no orçamento de 2023 caso o Congresso aprove a recente proposta de lei antes do fim da sessão legislativa.Diversos setores da administração consideram que estas medidas ainda são insuficientes para os projetos de modernização e o anunciado confronto com a China, pelo facto de muitas das verbas serem destinadas ao pessoal militar.O gabinete do Congresso para o orçamento (CBO) estima que cerca de um quarto do orçamento da Defesa é gasto em custos de pessoal, incluindo salários, cuidados médicos e reformas.