Chefe da diplomacia dos EUA garante que anexação da Gronelândia "não vai acontecer"
8 de jan. de 2025, 17:00
— Lusa/AO Online
“A ideia expressa sobre a
Gronelândia não é obviamente uma boa ideia, mas talvez mais importante,
não vai acontecer”, disse Blinken numa conferência de imprensa em Paris.Trump,
que tomará posse no próximo dia 20 de janeiro, declarou no mês passado
que a “propriedade e o controlo” do território, que pretendia adquirir
durante a sua primeira presidência, é “uma necessidade absoluta” para a
segurança nacional dos EUA.Após a visita
privada do seu filho mais velho, Donald Trump Jr., à Gronelândia, na
terça-feira, o Presidente eleito não excluiu, numa conferência de
imprensa no mesmo dia, um hipotético recurso à força militar ou à
imposição de tarifas à Dinamarca para assumir o controlo da ilha.Esta
ilha ártica com dois milhões de quilómetros quadrados (80% dos quais
cobertos de gelo) conta com uma população de apenas 56 mil habitantes.Desde 2009, a Gronelândia tem um novo estatuto que reconhece o direito à autodeterminação.Embora
a maioria dos partidos e a população defendam a separação da Dinamarca,
metade do orçamento da ilha depende da ajuda anual de Copenhaga e as
tentativas de obter receitas da sua riqueza mineral e petrolífera
falharam até agora devido às dificuldades e ao elevado custo da
extração.Os EUA mantêm uma base militar no
norte da Gronelândia ao abrigo de um amplo acordo de defesa assinado em
1951 entre Copenhaga e Washington.Ainda
na capital francesa, o chefe da diplomacia cessante norte-americana
desvalorizou declarações recentes de Elon Musk de apoio a várias figuras
políticas de extrema-direita na Europa, considerando que o bilionário
norte-americano e próximo de Trump está a falar como um “cidadão
privado”.“Os cidadãos privados no nosso
país podem dizer o que quiserem”, comentou, acrescentando: “Ele, como
qualquer americano, tem o direito de expressar as suas opiniões”.Há
semanas que Elon Musk faz comentários provocatórios na sua rede social
X, convidando-se a participar em debates políticos no Reino Unido e na
Alemanha, em particular, para apoiar a direita radical, o que mereceu
condenações de vários governantes europeus.O
chefe da diplomacia francesa, Jean-Noël Barrot, instou Bruxelas a
proteger os Estados-membros da União Europeia (UE) da interferência no
debate público europeu.“Ou a Comissão
Europeia aplica, com a máxima firmeza, as leis que nos foram atribuídas
para proteger o nosso espaço público, ou não o faz, e então terá de
concordar em devolver aos Estados-membros da UE a capacidade de o
fazer”, afirmou.Também o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, acusou o magnata do setor
tecnológico de “atacar abertamente as instituições” e “incitar ao ódio”.Na
segunda-feira, o Presidente francês, Emmanuel Macron, lamentou que o
homem mais rico do planeta estivesse a apoiar “uma nova internacional
reacionária” na Europa.Em novembro
passado, Donald Trump anunciou a nomeação de Elon Musk para chefiar um
novo departamento de "eficiência governamental".