Chefe da diplomacia dos EUA classifica Amnistia Internacional como "uma fraude"

Hoje 15:59 — Lusa/AO Online

“A Amnistia Internacional é uma fraude. Se me pergunta o que penso do que pensa a Amnistia Internacional, sabe no que acho que a Amnistia Internacional deveria focar-se? Num regime iraniano que assassinou, a sangue frio, dezenas de milhares de pessoas nas ruas de Teerão e noutras partes do país”, comentou Marco Rubio, numa conferência de imprensa em Lisboa, após um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel.Na sua opinião, “o que a Amnistia Internacional deve focar-se é em como o regime iraniano entra nos hospitais quando manifestantes ficam feridos e assassina as pessoas nas suas camas de hospital e, já agora, por vezes assassina os médicos ou enfermeiros que os trataram”. “São crimes de guerra, são crimes contra a humanidade, e são crimes que estão a cometer contra o próprio povo [iraniano]”, sustentou.Rubio tinha sido questionado sobre o uso da Base das Lajes, nos Açores, pelas forças norte-americanas durante os ataques ao Irão, criticado pela organização não-governamental (ONG).“Não podemos esperar mais. Chegou o momento de as autoridades portuguesas dizerem claramente à administração [do Presidente norte-americano, Donald] Trump que a Base das Lajes não pode ser usada para crimes de guerra”, afirmou o diretor executivo da Amnistia Internacional em Portugal, João Godinho Martins, num comunicado enviado às redações na véspera da visita oficial de Rubio a Lisboa.Para a Amnistia, o Governo português “não pode continuar a dar um contributo ativo para esta crise e deve transmitir a Marco Rubio a recusa do uso da base das Lajes e do espaço aéreo nacional para apoiar operações militares norte-americanas no Irão”.“Portugal estará a violar os seus compromissos internacionais, ao permitir reiteradamente a utilização da Base das Lajes para operações militares, direta ou indiretamente relacionada com os ataques verificados, sem que o Governo português consiga assegurar que não foram cometidos crimes com o uso das aeronaves e do material que passou pela ilha Terceira, nos Açores”, adiantou João Godinho Martins.