Chefe da diplomacia da UE diz que G20 já não é fórum económico mas geopolítico
3 de mar. de 2023, 13:11
— Lusa/AO Online
"O G20 tem um papel específico a
desempenhar, mas já não é um fórum económico, tornou-se um fórum
geopolítico", disse Josep Borrell, em Nova Deli. O
Alto Representante da UE observou que os ministros dos Negócios
Estrangeiros do G20 "encontraram as mesmas linhas de falha que noutros
fóruns", com a tensão entre os Estados Unidos e os aliados ocidentais e a
Rússia sobre a guerra na Ucrânia, bem como o atrito entre Washington e
Pequim."No mundo de hoje temos duas
tendências (...) uma é a competição entre a China e os EUA, que vai ser
uma das grandes forças estratégicas deste século e vai aumentar, e a
segunda é que não vivemos num mundo multilateral mas sim num mundo
multipolar", disse Borrell, num discurso proferido no Diálogo Raisina, a
conferência geopolítica anual da Índia, organizada conjuntamente pelo
Ministério dos Negócios Estrangeiros e pela Fundação Observer Research
(ORF). Apesar da falta de entendimento
entre os ministros dos Negócios Estrangeiros do G20, que permaneceu sem
consenso como foi o caso na semana passada na reunião das finanças em
Bangalore, Borrell disse ter havido "uma grande melhoria" em comparação
com a cimeira dos líderes em Bali, no ano passado."Em
Bali, o ministro dos Negócios Estrangeiros [russo, Serguey] Lavrov
veio, falou e partiu. Pelo menos desta vez ficou e ouviu", indicou.Por
seu lado, Lavrov considerou que o G20, criado como fórum de debate
económico para as maiores economias do mundo e países emergentes, perdeu
o propósito com debates sobre a questão Ucrânia, sob a pressão de
Washington para encurralar a Rússia. "Ninguém
se preocupava com nada, exceto com as políticas financeiras e
macroeconómicas", razão pela qual "o G20 foi formado", disse o ministro
dos Negócios Estrangeiros russo, numa sessão do Diálogo Raisina. Na
quinta-feira, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken,
culpou a Rússia e as suas ações na Ucrânia pelas falhas nos sistemas
multilaterais, enquanto Lavrov acusou o Ocidente de impedir a adoção de
uma declaração conjunta. A China, entretanto, acusou os EUA de "atiçar as chamas da guerra", enviando armas para a Ucrânia.A
Índia, que ocupa a presidência rotativa do grupo e é a anfitriã do
evento, procurou que questões chave como a crise alimentar e energética,
a afetar particularmente as nações em desenvolvimento, fossem o foco
dos debates.