Chefe da AIEA garante capacidade para efetuar inspeções "incontestáveis"
Israel/Irão
20 de jun. de 2025, 17:04
— Lusa/AO Online
"Uma solução diplomática é
possível se houver vontade política. Elementos de um acordo foram
discutidos. A AIEA pode garantir, através de um sistema de inspeções
incontestáveis, que armas nucleares não serão desenvolvidas no Irão",
afirmou Rafael Grossi, durante uma reunião de emergência do Conselho de
Segurança da ONU para abordar o conflito entre Israel e o Irão, iniciado
há uma semana.Esta oportunidade não pode
ser perdida, segundo frisou o diplomata argentino, avaliando que a
alternativa seria um conflito prolongado e uma ameaça
nuclear iminente que, embora emanasse do Médio Oriente, corroeria
eficazmente o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e o regime
de não proliferação como um todo.Israel
tem em curso uma ofensiva contra o Irão desde 13 de junho, que
justificou com os progressos do programa nuclear iraniano e a ameaça que
a produção de mísseis balísticos por Teerão representa para o país.A
acusação é refutada por Teerão, que insiste nos fins pacíficos do seu
programa nuclear, e que tem lançado vários ataques aéreos em retaliação
contra Israel.Na mesma intervenção, o
diretor-geral da AIEA indicou que um ataque direto à central nuclear
iraniana de Bushehr teria as consequências mais "sérias", potencialmente
libertando grandes quantidades de radiação."Este
é o local nuclear no Irão onde as consequências de um ataque seriam
mais sérias", alertou o representante, observando que o local abrigava
milhares de toneladas de material nuclear.O chefe da AIEA fez saber que foi contactado pelos países da região nas últimas horas, que lhe expressaram as suas preocupações.Nesse
sentido, Grossi deixou um aviso bem claro: "No caso de um ataque à
central nuclear de Bushehr, um impacto direto causaria um nível muito
alto de radioatividade no meio ambiente".Da
mesma forma, prosseguiu, um ataque que cortasse as duas linhas de
energia que abastecem a central poderia causar o derretimento do núcleo
do reator, o que poderia libertar igualmente altos níveis de
radioatividade no ambiente."No pior dos
casos, ambos os cenários exigiriam ações de proteção, como evacuações e
abrigo da população ou a necessidade de tomar iodo estável, com um
alcance que se estenderia a distâncias de alguns quilómetros a centenas
de quilómetros", insistiu.Também expressou
preocupação com os riscos de um ataque ao Reator de Investigação
Nuclear de Teerão, que poderia ter consequências graves, potencialmente
para grandes áreas da capital do Irão e para os seus habitantes.Ainda
na mesma intervenção, Grossi indicou que os ataques israelitas que
visaram instalações nucleares no Irão causaram uma forte degradação da
segurança nuclear no país."Embora até
agora não tenham causado qualquer fuga radiológica que afete a
população, existe o perigo de que tal possa ocorrer", acrescentou o
diretor-geral da AIEA.