Chanceler alemão pede a Zelensky para manter jovens ucranianos no seu país
Ucrânia
13 de nov. de 2025, 16:47
— Lusa/AO Online
Numa
conversa telefónica, Merz pediu a Volodymyr Zelensky "que assegure que,
em particular, os jovens ucranianos não venham para a Alemanha em
grande e crescente número" e que "cumpram o seu dever no seu país",
disse durante um discurso em Berlim.De
acordo com dados do Ministério do Interior alemão, desde 26 de agosto,
com a decisão de Kiev de flexibilizar a lei marcial e autorizar os
jovens adultos do sexo masculino a deixar o país, o número de ucranianos
dessa faixa etária que pediu refúgio na Alemanha está a aumentar muito,
ultrapassando os 1.000 por semana. Desde o
início da guerra os homens dos 18 aos 60 anos
estavam proibidos de sair da Ucrânia, com algumas exceções.As
pessoas dos 18 aos 22 anos não são afetadas pela mobilização militar,
cuja idade mínima foi reduzida para os 25 anos em abril de 2024.Merz
anunciou ainda que os apoios que a Alemanha atribui aos refugiados
ucranianos serão reduzidos "para que os incentivos ao trabalho sejam
mais fortes do que a tentação de permanecer no sistema de proteção
social".Em termos concretos, explicou o
chanceler alemão, "os refugiados ucranianos deixarão de ser abrangidos
pelo (...) rendimento do cidadão", o principal subsídio social do país,
mas "passarão a estar abrangidos pela lei sobre as prestações de asilo".Esta
medida aplicar-se-á aos homens e mulheres ucranianos que
chegaram depois de 01 de abril de 2025, afirmaram fontes governamentais à
agência de notícias France-Presse (AFP), confirmando uma notícia do
jornal alemão Bild.De acordo com um projeto de lei apresentado no verão, esta medida deverá permitir uma poupança de 730 milhões de euros até 2026.Já
no final de outubro, o líder do partido conservador da Baviera, membro
da coligação do Governo alemão, pediu à União Europeia (UE) para
pressionar Kiev a proibir os jovens de deixarem a Ucrânia."Temos
de controlar e reduzir seriamente o fluxo crescente de jovens do sexo
masculino provenientes da Ucrânia", exigiu na ocasião Markus Soder,
líder da União Social-Cristã (CSU) e que também dirige a poderosa região
da Baviera, em declarações publicadas no diário Bild.Mais
de 5,6 milhões de ucranianos fugiram para o estrangeiro desde a invasão
russa iniciada em fevereiro de 2022, a grande maioria dos quais para a
Europa, de acordo com dados da ONU.A Alemanha acolheu mais de um milhão de pessoas, a maioria das quais mulheres e crianças.A Alemanha é o principal doador da Ucrânia na Europa e o segundo a nível mundial, atrás dos Estados Unidos.Berlim
participa no armamento de Kiev contra Moscovo, e nas reparações e
proteção da rede energética ucraniana, devastada pelos ataques russos
desde o início da invasão.