CGTP-IN recusa negociar corte de 4% nos salários do Estado

18 de mai. de 2013, 16:16 — Lusa/AO online

O jornal Expresso noticia hoje que o ajustamento da política de remunerações dos funcionários públicos, decorrente das negociações com a 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu), implica um corte médio de 4% nos salários dos trabalhadores do Estado. "É uma posição inadmissível que a CGTP rejeita unilateralmemnte, desde logo porque estamos a ser confrontados com cortes sucessivos de salários e pensões quer dos trabalhadores da administração pública, quer dos trabalhadores em termos gerais e pensionistas", disse Arménio Carlos. O líder da CGTP-IN adiantou que, neste caso, "não há nada para negociar" e que se o Governo quer cortar na despesa pública, que "corte na despesa parasitária, nas parcerias público-privadas, nos benefícios fiscais, nas rendas de eletricidade e no combate à fraude e evasão fiscal", porque, segundo Arménio Carlos, "é aí que tem de intervir, taxando também o capital, as grandes fortunas e a grande riqueza, que continuam impunes". Para o secretário-geral da central sindical, quando o Presidente da República anuncia para a próxima segunda-feira uma reunião do conselho de Estado para discutir a situação pós 'troika', o que se deveria estar a discutir eram as "soluções para os problemas que os trabalhadores, pensionistas, reformados, desempregados e os jovens se estão a confrontar". Arménio Carlos defende que a solução "só tem uma saída" e é "a convocação de eleições antecipadas para que os portugueses possam demonstrar que não só não estão com este Governo como querem encontrar alternativas e soluições que respondam às suas necessidades e aos seus anseios". Segundo o líder sindical, a redução do poder de compra "tem uma relação direta com a redução do consumo e do funcionamento do mercado interno", pelo que "quando a maioria das empresas trabalha para o mercado interno, menos poder de compra dos trabalhadores iria originar menos vendas" e, consequentemente "mais falências e menos emprego, menos receitas fiscais para o Estado e menos contribuições sociais para para a Segurança Social". Arménio Carlos apelou também ao ministro de Estado e Negócios Estrangeiros e líder do CDS-PP, Paulo Portas, para que se pronuncie sobre esta matéria. "Gostaria de saber se está de acordo ou se está contra. Mais do que dizer uma coisa hoje e fazer outra amanhã, é preciso seriedade, coerência e rigor na política. É algo que este Governo neste momento não tem e por isso não tem, nem legitimidade política, nem moral nem ética para continuar a governar", sublinhou. Perante esta situação, o líder da CGTP apelou à presença dos portugueses "numa grande concentração em Belém" no dia 25 de maio pela demissão do Governo.