CGTP-IN alerta para desvio de recursos para privados na Saúde (Com vídeo)
Hoje 09:45
— Filipe Torres
No Dia Mundial da Saúde, assinalado terça-feira, a CGTP-IN/Açores promoveu
duas concentrações em Ponta Delgada, uma junto ao Hospital
Divino Espírito Santo (HDES) e outra no Centro de Saúde, com o
objetivo de chamar a atenção para a necessidade de reforçar o
investimento público no Serviço Regional de Saúde (SRS). As duas ações
juntaram cerca de dez pessoas e incluíram a entrega de documentos aos
utentes.À porta das consultas externas do HDES, o coordenador
regional da CGTP-IN, Rui Teixeira, explicou que a iniciativa pretende
valorizar o papel dos profissionais de saúde e alertar para aquilo que
considera ser um desvio de recursos para o setor privado. Segundo o
dirigente, Portugal é um dos países da União Europeia onde as famílias
mais suportam diretamente os custos com a saúde, uma realidade que
também afeta os açorianos, sobretudo os trabalhadores, reformados e
respetivas famílias. O sindicalista Rui Teixeira defendeu que, se
houvesse um investimento mais consistente nos recursos humanos,
equipamentos e infraestruturas do serviço público, seria possível
garantir uma resposta mais rápida e com menor custo para a região,
criticando o aumento da despesa associado à contratualização com
privados, que, no seu entender, não se traduz em melhores cuidados.O
responsável sindical sublinhou ainda há um desinvestimento ao longo dos
anos, incluindo nas infraestruturas hospitalares, tem consequências
acumuladas, tornando mais dispendiosa a resolução dos problemas.
Defendeu, por isso, a necessidade de um planeamento a longo prazo para o
setor da saúde, que inclua a valorização das carreiras dos
profissionais e uma aposta clara na prevenção da doença. “Lista de
espera para cirurgias urgentes, especialidades que faltam, consultas que
tardam: assim se pode resumir a situação regional na Saúde, com
problemas que não são de hoje. Exigimos os médicos, enfermeiros,
assistentes operacionais, técnicos auxiliares de saúde e outros
profissionais que faltam ao SRS para cumprir a sua missão! Exigimos os
equipamentos que são necessários todos os dias”, lê-se na nota.Também
à saída do hospital, uma utente, Evelina, relatou dificuldades no
acesso aos cuidados de saúde, apontando longos tempos de espera para
consultas e exames. A estudante afirmou estar há cerca de um ano à
espera de uma consulta de genética, referindo que, muitas vezes, a única
alternativa passa por recorrer ao setor privado. Na sua perspetiva,
quem tem capacidade financeira consegue resolver os problemas mais
rapidamente, enquanto quem depende exclusivamente do serviço público
enfrenta atrasos que podem agravar a situação clínica.Já no Centro
de Saúde de Ponta Delgada, onde decorreu a segunda concentração, os
testemunhos recolhidos foram mais positivos. Um utente de 62 anos
afirmou estar satisfeito com o acompanhamento que tem recebido,
destacando o facto de ter médico de família e acesso regular a
consultas. Também outra utente referiu ser sempre atendida e elogiou a
existência de acompanhamento médico e psicológico, demonstrando
confiança no funcionamento dos cuidados de saúde primários.A
CGTP-IN/Açores insiste que é urgente reforçar o investimento no Serviço
Regional de Saúde público, gratuito e universal, valorizando os
profissionais e melhorando o acesso para todos.