CGTP-IN/Açores rejeita privatização de empresas públicas essenciais
22 de set. de 2025, 14:00
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, a CGTP-IN/Açores refere, em particular, a separação da
assistência em escala da SATA (handling), justificando que a operação
“anunciada pelo Governo Regional visa a privatização" dessa área e
“facilitar" a alienação da própria companhia aérea açoriana.“Este
é um passo que, pela sua significativa gravidade, a CGTP-IN/Açores
critica, por ser contrário à salvaguarda da companhia, da economia
regional e dos interesses de quem vive e trabalha nos Açores”, lê-se no
comunicado, assinado pelo coordenador da CGTP-IN/Açores, Rui Teixeira.A
CGTP denuncia ainda que as “inquietações” sobre a privatização se
estendem a outras empresas públicas regionais, como a Atlânticoline,
IROA, IAMA, Portos dos Açores, Lotaçor, SEGMA, Globaleda e Teatro
Micaelense, alertando que os compromissos que o Governo Regional
(PSD/CDS-PP/PPM) fez com os trabalhadores destas empresas “surgem agora
desrespeitados”.“Com esta opção política,
ficarão em causa serviços públicos essenciais, o desenvolvimento
equilibrado das ilhas e a saúde das contas públicas – ao contrário do
que alega o Governo Regional”, alerta a Confederação Geral dos
Trabalhadores Portugueses, acusando o executivo açoriano de
“desorientação” no processo de privatização da SATA.Segundo
a CGTP nos Açores, inicialmente o executivo “garantia que a
privatização seria para corrigir a dívida da SATA e, entretanto, já foi
obrigado a reconhecer que a dívida seria assumida pela região”.“Depois,
era o negócio que estava no bom caminho. Entretanto, já reconheceu que
pode ter de avançar para negociação particular, porque está demonstrado o
prejuízo que o Governo Regional sempre se recusou a reconhecer.
Finalmente, revela desespero, ao afirmar que ou a companhia é
privatizada, ou será encerrada, indicando não perceber qual o papel da
companhia no desenvolvimento económico e social dos Açores, essencial na
mobilidade e na vida das famílias e das empresas”, acusa.A
privatização da SATA "não foi uma exigência da Comissão Europeia, mas
uma opção política do Governo Regional, apoiada pelo Chega e a
Iniciativa Liberal (IL), que pode e deve ser travada com urgência”,
defende.Para a CGTP-IN/Açores, a história
das privatizações demonstra que estas resultam em “excelentes negócios
para os grandes empresários”, mas são “autênticos desastres para as
contas públicas” e para quem precisa daqueles serviços públicos
essenciais."Nunca o interesse público
ficou a ganhar com a alienação de património estratégico. Muito pelo
contrário, ficou sempre condicionado o desenvolvimento económico e
social, a autonomia e a própria soberania", considera ainda a CGTP, que
reitera a necessidade de "interromper estes processos" e implementar
"uma política de defesa destas empresas e de valorização dos seus
trabalhadores".Face à situação, a
CGTP-IN/Açores, anunciou que decidiu, em articulação com os seus
sindicatos, reativar a Plataforma das Estruturas Representativas dos
Trabalhadores das Empresas Públicas Regionais de Serviços.