CGTP-IN/Açores pede “solução definitiva” para atrasos nas transferências para IPSS
Hoje 11:37
— Lusa
“Nós exigimos uma solução
definitiva. Não é aceitável que numa matéria desta natureza se estejam a
empurrar responsabilidades de um lado para o outro”, disse o
coordenador da CGTP-IN/Açores, Rui Teixeira.O
dirigente, questionado pela agência Lusa sobre o assunto numa
conferência de imprensa de apresentação das principais conclusões de uma
reunião da comissão coordenadora, realizada em Ponta Delgada, na ilha
de São Miguel, referiu que a situação é a “demonstração prática” de que o
facto de os Governos da região e da República terem a “mesma cor
política, não é a garantia de resposta para nada”.“Portanto,
devia-se perguntar a quem na região tem o dever de o fazer, que ações é
que está a fazer para exigir do Governo da República a resolução do
problema, porque uma parte disto são verbas da Segurança Social, […] e,
de uma vez por todas, acabar com o passa culpas que só deixa mais
vulneráveis os utentes e os trabalhadores que os estão a servir”,
afirmou.No dia 01 de julho, a União
Regional das IPSS dos Açores denunciou estarem em falta 4,2 milhões de
euros em majorações, alertando que há instituições sem conseguir pagar o
subsídio de férias.Em declarações à Lusa,
o presidente da União Regional das IPSS dos Açores (URIPSSA) explicou
que os apoios às instituições sociais da região ainda não foram
majorados, porque o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) encomendou um
estudo sobre o custo real das instituições.Segundo
João Canedo, foi realizado um estudo semelhante no continente português
em 2024 que resultou numa “majoração das instituições”, situação que
ainda não aconteceu nos Açores.“O ano
passado não conseguimos que houvesse majorações das valências para as
instituições dos Açores. Ficou a faltar essa majoração. Essas majorações
equivalem na Região Autónoma dos Açores a 4,2 milhões. Esse dinheiro é
claro que fez falta às instituições dos Açores”, afirmou.Em
resposta por escrito enviada à Lusa, o Governo Regional
(PSD/CDS-PP/PPM) salientou que eram apenas duas instituições em 94 que
não iriam pagar o subsídio de férias em junho, confirmando tratar-se de
IPSS que ficaram de fora do acordo que contemplou os níveis de inflação e
que teve a “anuência” da URIPSSA.A
Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social garantiu que, após a
conclusão do estudo, o executivo açoriano vai reunir-se com o Governo da
República e representantes do setor social, destacando a importância de
aferir o “custo real” das instituições para “reivindicar uma majoração”
dos apoios junto da República.Para o
coordenador da CGTP-IN/Açores, Rui Teixeira, a situação demonstra, mais
uma vez, que “quando alguma coisa corre mal, o problema sobra sempre
para a parte mais fraca, que neste caso são os trabalhadores”.“Não
estamos a falar de quaisquer trabalhadores, estamos a falar de
indivíduos que prestam funções sociais e que colmatam aquilo que é a
falha dos serviços prestados pela região, ou seja, estes são
trabalhadores que, do ponto de vista da sensibilidade da função que
exercem, exigiam uma outra atenção”, disse.Mais
uma vez, os trabalhadores das IPSS “são abandonados à sua sorte e fica
aqui uma espécie de passa culpas entre uns e outros que mostra,
precisamente, o desprezo por estes trabalhadores, mas também pelos
utentes, que ficam em causa”.Rui Teixeira
referiu também que a comissão coordenadora da CGTP/IN nos Açores, entre
outros assuntos, considera “urgente um aumento geral, significativo e
imediato de todos os salários” na região.“É fundamental dinamizar, nos Açores, a contratação coletiva […] e combater as gritantes desigualdades sociais”, afirmou.Depois
de referir que o poder político regional “tem de ouvir os trabalhadores
e dar as respostas que estes exigem e merecem”, salientou que a luta
dos trabalhadores e a iniciativa sindical “irão continuar”, porque as
suas reivindicações são “justas, possíveis e urgentes”.O
aumento dos salários para todos os trabalhadores em 2026 (150 euros ou
15%), a valorização das carreiras e profissões e 35 horas de trabalho
semanal para todos sem perda de retribuição, são algumas das
reivindicações.A CGTP/IN/Açores pede
também, entre outras medidas, o combate à precariedade, o aumento do
acréscimo regional ao Salário Mínimo nacional (em 10%) e da remuneração
complementar (em 100 euros).