CGTP diz que "nenhuma forma de luta está excluída" perante "retrocesso" na lei laboral
8 de set. de 2025, 17:36
— Lusa/AO Online
"Estamos perante um pacote
laboral que é um verdadeiro retrocesso no mundo do trabalho", afirmou o
secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses -
Intersindical Nacional (CGTP), Tiago Oliveira, após a audiência com o
Presidente da República, no Palácio de Belém, em Lisboa.A
central sindical vê "com muito receio" e "negativismo" a proposta do
Governo e volta a apelar ao Governo para que "recue em toda a linha" e
retire o documento da discussão, reiterando que "há matérias que são
inconstitucionais", como é o caso dos "despedimentos, da matéria da
liberdade sindical e da matéria da contratação coletiva". "Obviamente não deixámos de colocar ao senhor Presidente da República essa nossa preocupação", indicou Tiago Oliveira. Tal
como já tinha referido em declarações à Lusa, o secretário-geral da
CGTP insta o Chefe de Estado a pronunciar-se sobre o anteprojeto do
Governo. "Entendemos que o senhor
Presidente deve-se pronunciar sobre aquilo que está em cima da mesa",
acrescentou, sublinhando que se está "perante um verdadeiro ataque aos
direitos de quem trabalha". Questionado
sobre se a CGTP admite juntar-se à União Geral de Trabalhadores (UGT)
para se oporem à reforma laboral, tal como defendido pelos ex-líderes da
CGTP e da UGT Carvalho da Silva e Torres Couto, o secretário-geral da
CGTP refere que para já a "unidade" se faz "nos locais de trabalho" e
apela a que os trabalhadores participem na manifestação convocada para
20 de setembro por esta central sindical. "Nenhuma
forma de luta está excluída. Neste momento está tudo em cima da mesa",
sublinhou, indicando que tudo depende agora "da resposta da parte do
Governo àquilo que é o posicionamento e a reivindicação dos
trabalhadores".Além da CGTP, o Presidente
da República vai ainda receber hoje a UGT e a Confederação do Comércio e
Serviços de Portugal (CCP) sobre esta matéria. O
anteprojeto do Governo para revisão da legislação laboral começa na
quarta-feira a ser debatido com os parceiros sociais, naquela que é a
primeira reunião de concertação social após a apresentação da proposta,
designada "Trabalho XXI".Desde então têm
decorrido reuniões bilaterais entre Governo e os parceiros sociais,
segundo confirmou à agência Lusa fonte oficial do Ministério do
Trabalho.As alterações previstas na
proposta do executivo visam desde a área da parentalidade (com
alterações nas licenças parentais, amamentação e luto gestacional) ao
trabalho flexível, formação nas empresas ou período experimental dos
contratos de trabalho, prevendo ainda um alargamento dos setores que
passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de greve.