CGTP diz que dados do desemprego não refletem "o grande aumento" e pede medidas
6 de ago. de 2020, 11:56
— Lusa/AO Online
“Os dados
divulgados não refletem o grande aumento verificado, já que, apesar da
gradual reabertura da atividade económica, muitos desempregados não são
assim classificados pelo INE [Instituto Nacional de Estatística] pelo
facto de não fazerem diligências para procurar emprego, um fenómeno que
tem atualmente maior relevância devido às restrições à mobilidade
associadas à pandemia ocorridas no período em análise”, pode ler-se no
comunicado da intersindical.A CGTP refere
que no segundo trimestre estimam-se “749 milhares de pessoas nessa
situação (mais 11% do que no ano passado) e que a taxa correspondente
(taxa de subutilização do trabalho) fosse de 14%, também superior quer
ao trimestre anterior (12,9%), quer ao homólogo (12,4%)”, salientando
que “as mulheres são particularmente afetadas, com uma taxa de 15,3%
face aos 12,7% entre os homens”.Além
disso, segundo a central sindical, “pouco mais de 1/3 do número real de
desempregados tem acesso à proteção no desemprego, sendo o valor médio
das prestações de desemprego de apenas 507 euros, pouco acima do limiar
de pobreza”.Face a esta situação a CGTP
exige “medidas efetivas de relançamento da economia, que rompam com a
política laboral de direita, que passam nomeadamente pelo reforço do
investimento público, pelo pagamento integral dos salários aos
trabalhadores, pela proibição dos despedimentos e pela estabilidade no
emprego, pela efetivação do direito à contratação coletiva e pelo
reforço da proteção social no desemprego”.A
taxa de desemprego foi de 5,6% no segundo trimestre, abaixo do primeiro
trimestre e do período homólogo, enquanto a população inativa aumentou
para 3,8 milhões de pessoas, na maior variação desde 2011, segundo o
INE.De acordo com o INE, entre abril e
junho, "a taxa de desemprego foi 5,6%, valor inferior em 1,1 pontos
percentuais ao do trimestre anterior [6,7%] e em 0,7 pontos percentuais
ao do trimestre homólogo de 2019 [6,3%]".Já
a população inativa (com 15 e mais anos) fixou-se em 3.886,7 mil
pessoas no segundo trimestre, mais 5,7% face ao trimestre anterior e
7,5% em relação ao mesmo período de 2019, referindo o INE que "nunca
antes, na série de dados iniciada em 2011, se havia registado variações
trimestrais e homólogas tão elevadas”.A taxa de inatividade das mulheres (48,2%) excedeu a dos homens (38,5%), ambas aumentando nas variações trimestral e homóloga.O
INE justifica com o “aumento da população inativa que, embora
disponível, não procurou trabalho, estimada em 312,1 mil pessoas”, um
aumento de 87,6% em relação ao trimestre anterior (145,7 mil pessoas) e
de 85,6% relativamente ao período homólogo (143,9 mil pessoas).Ainda
segundo o INE, este aumento da população inativa deve-se, em parte, por
41,8% dos desempregados no primeiro trimestre terem transitado para a
situação de inatividade no segundo trimestre.O
INE explica ainda que é este fluxo (de desempregados que passam a
inativos) que explica “fundamentalmente” a redução da taxa de desemprego
no segundo trimestre, “movimento que poderá ser invertido pela maior
facilidade de mobilidade e interação social, e consequente procura de
emprego, como indicia o aumento da taxa de desemprego de junho já
publicada [7%]”.