CGTP denuncia degradação da saúde nos Açores e exige mudança de políticas
Hoje 12:18
— Lusa/AO Online
Em comunicado
de imprensa, a estrutura sindical sustenta que estes problemas resultam
de “opções políticas” e da “ausência de um compromisso firme do Governo
Regional com o serviço público regional de saúde”.Segundo
a central sindical, os problemas no setor na região "não são de hoje",
havendo um "desvio de recursos" para o setor privado. A estrutura exige
ao Governo Regional um investimento urgente nos
profissionais, equipamentos e meios do serviço público para garantir
respostas atempadas e de qualidade à população.A
CGTP questiona a frequência com que os utentes recorrem ao setor
privado no arquipélago porque alegadamente não conseguem resposta
atempada no público."Quantas vezes ouvimos
dizer que se recorreu a serviços privados porque o problema de saúde
não podia esperar? Quantas vezes alguém aguarda um ano por um exame
urgente?", refere, exigindo "outras políticas regionais que protejam a
saúde nos Açores". Para a organização, estas situações são consequência direta da falta de investimento e de planeamento."Com
um investimento inicial que há muito já deveria ter sido feito, é
possível adquirir os equipamentos que permitiriam realizar estes exames
no público, garantindo ao mesmo tempo uma resposta atempada aos utentes
e, a médio prazo, uma redução significativa da despesa", lê-se na nota,
assinada pelo coordenador regional da CGTP, Rui Teixeira.Outro
dos problemas apontados é a falta de recursos humanos e técnicos, já
que, sem uma valorização e um investimento nestas valências, “não se
resolverão nem as listas de espera, nem a demora em consultas”.Por
outro lado, aponta, "há um número significativo de especialidades que
não são acessíveis" para a maioria dos utentes, nos hospitais da região,
estando "reservadas para casos excecionais".Na
sua leitura, tem sido a dedicação de médicos, enfermeiros e auxiliares a
assegurar "uma resposta com qualidade" aos utentes. No caso dos
enfermeiros, considera, a situação ilustra as "opções políticas do
Governo Regional".Apesar de conquistas
recentes ao nível das carreiras, a CGTP acusa o executivo açoriano de
atrasos "de longos meses" na concretização dos compromissos, o que levou
a novas lutas por parte dos enfermeiros.Para a estrutura, a defesa do Serviço Regional de Saúde requer outras políticas e outros compromissos."Quem
defende que a resposta passa por pagar estes serviços aos privados deve
olhar com atenção para a realidade: ao longo dos anos, o aumento da
verba transferida para os privados trouxe pior saúde e não melhores
cuidados", sublinha.