CGTP/Açores quer aumento ao acréscimo ao salário mínimo nacional de 10% em 2023
16 de nov. de 2022, 15:23
— Lusa/AO Online
Vitor
Silva, dirigente da estrutura sindical, declarou que um acréscimo
regional ao salário mínimo nacional de 5 para 7,5% representa 19 euros, o
que, “podendo parecer pouco, para quem ganha pouco significa muito,
garantindo-se pão e leite na mesa aos filhos e impedindo que muitas
crianças dos Açores vão para a escola sem tomar o pequeno almoço”.A
medida “é para ir mais longe do que isso”, sendo que “já no próximo
ano, a ideia é avançar com uma proposta de 10% de aumento, o que
significa 38 euros, que corresponde a 5%, mais 38 euros para atingir os
10%, o que dá 76 euros”, de acordo com o sindicalista, que falava em
conferência de imprensa, em Ponta Delgada.Vitor
Silva ressalvou que se evitaria também, desta forma, a “discriminação
de trabalhadores do setor privado e público por via da remuneração
complementar, ficando os valores muito próximos”.“Infelizmente,
os dados que nós temos neste momento, do ponto de vista da contratação
coletiva, provam que se não for por via do acréscimo regional ao salário
mínimo nacional não vão existir aumentos salariais”, afirmou Vitor
Silva.João Decq Mota, líder da
CGTP/Açores, apontou a reivindicação do aumento da remuneração
complementar para 100 euros, o que representa um impacto orçamental de
320 mil euros, bem como a fixação dos preços máximos nos bens e serviços
públicos como a água, a eletricidade, os combustíveis e os transportes
para “aliviar as empresas e as famílias”.O
caderno reivindicativo contempla ainda a passagem, a efetivos, dos
trabalhadores que “ocupam postos de trabalho de natureza permanente, com
contrato a termo ou recibo verde”.A
CGTP/Açores propõe a alteração dos programas ocupacionais para “garantir
a contratação com integração nos quadros dos trabalhadores abrangidos
que preenchem postos de trabalho de natureza permanente”.João
Decq Mota disse que se pretende ainda “impedir a distribuição de
dividendos por parte das empresas públicas regionais”, numa alusão à
Empresa de Eletricidade dos Açores (EDA), bem como criar um programa de
desenvolvimento para “revitalização do tecido produtivo regional, tendo
como objetivos centrais o reforço das exportações e a substituição das
importações por produção regional”.O sindicalista defendeu uma política de incentivos “assertiva e eficaz para apoiar as micro, pequenas e médias empresas”.O
dirigente considerou que o pacote reivindicativo "é peculiar e marcado
por uma brutal perda do poder de compra de todos os açorianos",
calculando a estrutura sindical que os trabalhadores na região
beneficiem de menos 65 euros mensais em termos de poder de compra, cerca
de menos um salário anual.