CGTP/Açores insiste que privatizações previstas na região não asseguram interesse público

Hoje 17:15 — Lusa/AO Online

“As informações relevantes não são transmitidas aos trabalhadores nem aos seus representantes e a comissão de acompanhamento que esta semana foi conhecida revela precisamente aquilo que nós temos dito desde o princípio, os trabalhadores e o interesse público regional estão arredados deste processo. Não há argumentos válidos que sustentem as privatizações”, afirmou o dirigente sindical, numa conferência de imprensa em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.Na apresentação das conclusões da reunião da comissão coordenadora da CGTP/Açores, Rui Teixeira alertou para os riscos de privatizar empresas que prestam serviços essenciais à região, como a SEGMA, que presta serviços de engenharia, gestão e manutenção, e a Globaleda, especializada em tecnologias de informação e comunicação.No caso da SEGMA, lembrou a “intervenção rápida” da empresa após o incêndio que afetou o Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, em maio de 2024, e no caso da Globaleda destacou o seu papel na Proteção Civil.“Numa região como a Região Autónoma dos Açores, com as características geográficas que nós temos, alienar um património desta natureza (…) é de uma irresponsabilidade que nós não conseguimos compreender”, vincou.Quanto à companhia aérea Azores Airlines, o dirigente sindical reiterou que a privatização “não foi uma exigência da Comissão Europeia”, mas uma proposta do Governo Regional, e insistiu que o executivo tem argumentos para evitá-la.“A Região Autónoma dos Açores tem características geográficas que não são compatíveis com regras e critérios que se apliquem para outra zona”, vincou.Rui Teixeira questionou se, após a privatização, a companhia vai deixar de voar para as ilhas do Pico, Faial e Santa Maria, se as rotas não forem rentáveis, e se poderá mesmo passar a voar para outras regiões do mundo.“De uma forma ou de outra, qualquer uma destas privatizações sairá a curto, a médio e a longo prazo, mais cara para trabalhadores, famílias e região, porque seremos nós a pagar os lucros que elas terão que ter”, sublinhou.Segundo o coordenador da CGTP/Açores, também não foram acautelados os direitos dos trabalhadores.“Daqui a dois anos e meio, vai haver despedimentos. Isso não há dúvidas nenhumas”, apontou.No caso da SEGMA e da Globaleda, o anúncio da privatização já levou à saída de alguns trabalhadores, que procuram uma “situação mais favorável” noutra empresa, revelou.“Já estamos a ter um prejuízo para o interesse público regional, porque estamos a perder conhecimento técnico, experiência e capacidade de intervenção, e ainda nem privatizámos”, salientou.O dirigente sindical desafiou o Governo Regional a questionar se a população está de acordo com estas privatizações.“Se as populações tiverem noção do prejuízo que é para si, de Santa Maria ao Corvo, a privatização de qualquer uma destas três empresas, então estes processos não vão avançar porque eles não são politicamente sustentáveis”, defendeu.O coordenador da CGTP/Açores insistiu também que é “necessário e urgente o aumento geral e significativo de todos os salários”, lembrando que está a decorrer uma petição para levar o tema a debate no parlamento açoriano.“Aquilo que está em causa num aumento de 15% sobre todos os salários, ou do acréscimo regional ao salário mínimo, é uma compensação parcial pelo aumento do custo de vida da inflação dos últimos tempos (…). Se nós fizermos um recuo nos últimos cinco anos, aquilo que vamos concluir é que os trabalhadores perderam muito mais do que 15%”, frisou.A CGTP/Açores considerou também “preocupantes os sinais dados pelo Governo da República” sobre possíveis alterações ao regime da Segurança Social e apelou a uma adesão maciça à greve dos trabalhadores das carreiras gerais da administração pública no dia 02 de outubro.