CGTP/Açores aguarda desde outubro por resposta a pedido de reunião com Governo Regional

Hoje 15:45 — Lusa/AO Online

“O Governo Regional simplesmente não deu resposta até à data. Nós vamos mantendo os pedidos de reunião e estamos disponíveis para a qualquer altura ser chamados para reunir e demonstrar as nossas preocupações, mas até à data não tivemos qualquer resposta e recordo que enviámos três ofícios”, afirmou o coordenador da CGTP/Açores, Rui Teixeira, em conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.Segundo o dirigente sindical, esta foi a "primeira vez" que um executivo açoriano não respondeu a um pedido de reunião da central sindical, postura que disse esperar que se altere “num futuro próximo”.A primeira reunião foi pedida em outubro, após as eleições autárquicas, e desde então a CGTP já enviou outros dois ofícios ao presidente do Governo Regional, que ficaram sem resposta.“O Governo Regional, ao não receber a CGTP-IN/Açores, seja para a entrega do caderno reivindicativo, seja para abordar a privatização de empresas públicas regionais, que são estratégicas para a região, demonstrou que as preocupações dos trabalhadores da região não fazem parte das suas prioridades”, criticou o coordenador da central sindical.Rui Teixeira acusou, por outro lado, as estruturas sindicais afetas à UGT de assinarem acordos coletivos de trabalho com redução de direitos e revisão de salários em baixa, alegando que esses contratos têm sido usados como instrumentos de chantagem na negociação da CGTP em diferentes setores de atividade.“Quando vamos para uma negociação e colocamos um conjunto de exigências em cima da mesa e nos apresentam um contrato coletivo de trabalho já assinado, que retira direitos aos trabalhadores, isto constitui-se como um instrumento de chantagem, porque nos dizem: ou é isto ou nada”, explicou.“Não consigo conceber como é que aumentos salariais ou aumentos do subsídio de refeição de alguns cêntimos podem ser considerados como vitórias dos trabalhadores”, acrescentou.Após uma reunião para analisar a situação política e social regional e perspetivar a atividade sindical, o coordenador regional da CGTP disse que em fevereiro estão já agendadas várias iniciativas, como plenários sindicais, greves e concentrações, contra o aumento do custo de vida e a implementação do pacote laboral proposto pelo Governo da República.“Mais uma vez em 2026 vai ser demonstrado que a luta dos trabalhadores e a iniciativa sindical são decisivas para o aumento de salários para todos os trabalhadores, a valorização das carreiras e profissões, as 35 horas de trabalho semanal para todos sem perda de retribuição, o combate à precariedade, o aumento do acréscimo regional ao salário mínimo nacional e da remuneração complementar, a reposição do direito de contratação coletiva e a reintrodução plena do princípio do tratamento mais favorável ao trabalhador”, frisou.Segundo Rui Teixeira, nos Açores, apesar de os “anúncios repetidos de crescimento económico”, a vida está “mais difícil para quem trabalha”.“A perda contínua de poder de compra, os horários desregulados, o trabalho por turnos sem tempo para descansar e os vínculos precários, mesmo em postos de trabalho permanentes, são a marca de um modelo económico assente em baixos salários”, salientou.Para além dos baixos salários, as condições de trabalho na região justificam que os trabalhadores açorianos se manifestem contra a implementação do pacote laboral, defendeu o dirigente da CGTP, dando como exemplo o setor do turismo.“O turismo e a atividade hoteleira têm tido uma pressão muito significativa perante aquilo que é a substituição de trabalhadores que não têm para fazer os turnos que são necessários. O que nós vemos é que os trabalhadores muitas vezes não têm o tempo de descanso necessário para pôr a empresa a funcionar”, alertou.