CGD “claramente” quer devolver dinheiro aos contribuintes no verão de 2019
30 de out. de 2018, 18:32
— Lusa/AO Online
“A
Caixa claramente quer devolver dinheiro aos contribuintes, é sua
obrigação”, afirmou em conferência de imprensa, em Lisboa, o presidente
da CGD, Paulo Macedo.Segundo o responsável, “o que está em cima da mesa é como é que esses resultados podem ser distribuídos”.Questionado sobre prazos, o responsável estimou que “no terceiro trimestre deverá ser possível fazer esta distribuição”.Paulo
Macedo ressalvou que para isso se verifica serem necessários “10
passos”, que incluem, desde logo, escolher quais os ativos que poderão
ser distribuídos, bem como aprovar uma política de dividendos entre os
acionistas, já que “a CGD não vai fazer distribuições pontuais”.Os
passos finais referem-se à aprovação do plano de distribuição de
dividendos pelo Conselho de Administração, pelos acionistas em
assembleia-geral e ainda pelo Banco Central Europeu e pela Comissão
Europeia.“Ninguém
decide que quer distribuir dividendos porque dá jeito. O que temos são
bons indicadores e boas expectativas, mas só haverá distribuição de
dividendos quando estes 10 itens estiverem assegurados”, notou Paulo
Macedo.E reforçou: “Nem um euro será distribuído sem isso”.Questionado
sobre valores, o presidente da CGD escusou-se a precisar, não
confirmando ainda a expectativa do Governo, que ronda os 200 milhões de
euros.“Pessoalmente
não tenho dúvidas que haverá devolução de dinheiro aos contribuintes
pelos quatro mil milhões de euros que aqui puseram”, indicou apenas.O
responsável considerou que esta “deveria ser uma questão perfeitamente
natural e não uma arma de arremesso e se isso vai beneficiar o Orçamento
[do Estado] ou se vai estar contra”.O
Governo prevê receber em 2019 dividendos da CGD e um aumento dos
dividendos pagos pelo Banco de Portugal, segundo a proposta do Orçamento
do Estado para 2019.No
Mapa I anexo à proposta do Orçamento de Estado, o Governo contabiliza
em 628 milhões de euros, no total, os "dividendos e participações nos
lucros de sociedades financeiros".Já
no relatório é dito que a perspetiva de crescimento de 9,5% da outra
receita corrente em 2019 se justifica pela "perspetiva de dividendos por
parte da Caixa Geral de Depósitos e de um aumento dos dividendos pagos
pelo Banco de Portugal".O
Governo fala ainda, no relatório que acompanha a proposta do Orçamento
do Estado, de um acréscimo de dividendos de 326 milhões de euros em
2019, mas neste caso sem especificar se se tratam apenas de entregas de
lucros de sociedades financeiras ou se inclui outras entidades.Relativamente
aos dividendos da CGD, a entrega em 2019 será a primeira vez desde
2010, quando o banco público distribuiu ao Estado dividendos referentes
ao exercício de 2009.