César diz que Pedro Nuno foi corajoso e recolocou PS do lado da solução para a imigração
28 de jan. de 2025, 10:15
— Lusa/AO Online
Em entrevista ao programa
Crossfire, da CNN, Carlos César foi questionado sobre a posição de Pedro
Nuno Santos, que lhe valeu críticas inclusivamente de dentro do PS, ao
admitir não se fez tudo bem nos últimos anos quanto à imigração,
anunciando que vai apresentar uma solução legislativa que permita
regularizar imigrantes que estão a trabalhar mas recusando recuperar a
manifestação de interesses.Adiantando que
haverá novidades sobre este projeto do PS na sexta-feira, Carlos César
defendeu Pedro Nuno Santos tem a obrigação “de adquirir para o universo
de intervenção do PS” temas que são “muito sensíveis aos portugueses”.“Na
verdade, aquilo que Pedro Nuno Santos faz numa entrevista, que é
rigorosa e que é corajosa, é recolocar o PS do lado de uma solução que
acautele em simultâneo os interesses daqueles que têm direito a ser
acolhidos com dignidade, por outro, da população portuguesa que vê nesse
acolhimento também uma mais-valia”, defendeu.O
dirigente socialista compreende algumas críticas que foram feitas
internamente – como as de José Luís Carneiro “que foi um bom ministro”
-, mas não aceita a forma como algumas críticas foram feitas por Ana
Catarina Mendes, “que foi uma ministra que não teve tempo nem
oportunidade de se revelar no exercício desses cargos do Governo”.“Aquilo
que é inadmissível é associar quer na linguagem quer no pensamento o
secretário-geral do PS a posições culturais e políticas da direita e da
extrema-direita. Isso passa os limites da crítica interna que pode ser
externa”, condenou.Na sexta-feira, em
declarações à Lusa, a antiga ministra e deputada Ana Catarina Mendes
mostrou-se estupefacta com a “mudança de posição” do PS sobre a
imigração e o discurso sobre aceitação de culturas, criticando uma
aproximação à agenda da direita e extrema-direita.Segundo
o presidente do PS, o que está em causa é aquilo que o PS pensa “sobre
determinadas matérias, em particular sobre uma matéria que concentra a
atenção dos portugueses”.“Não há aqui
nenhum sentido de condenação em relação ao passado. Acho perfeitamente
deslocada essa forma de avaliar a declaração de um político quando ela
não é conforme com aquilo que o seu partido sempre pensou ou sempre
fez”, defendeu.Carlos César recorreu ao
seu próprio percurso, referindo que foi presidente do Governo Regional
dos Açores durante 16 anos e revogou dezenas de vezes medidas que ele
próprio tinha implementado.“Eu acho que é
uma atitude inteligente e racional reavaliar a nossa própria ação e,
naquilo em que se entende que houve um erro ou já não se aplica da forma
que inicialmente se aplicava porque houve alterações efetivas”,
apontou.Segundo o presidente do PS, o
fluxo migratório “existente à data da aprovação do regime de
manifestação de interesse era um” e agora há mais do dobro, sendo
“natural que a questão se recoloque noutra forma”.“Nem
sequer houve uma condenação desse regime e da manifestação de
interesse. O que houve foi uma avaliação de que esse formato já não se
adequava aos tempos que agora temos e sobretudo foi pedida a
reapreciação parlamentar de um regime que já tinha sido revogado pelo
atual governo e substituído por um que não oferecia qualquer solução”
enfatizou.Sobre a situação interna no PS,
Carlos César admitiu que sente, “até de forma surpreendente”, “um
acréscimo enorme de aceitação” do líder do PS.“Eu
não tenho a menor dúvida que se hoje houvesse eleições para a liderança
do PS, Pedro Nuno ganhava por muito mais do que ganhou a José Luís
Carneiro”, declarou.