César avisa que afastará da bancada do PS deputados com comportamentos fraudulentos
6 de dez. de 2018, 15:11
— Lusa/AO Online
Carlos
César falava aos jornalistas no final da reunião semanal da bancada
socialista, depois de confrontado com um conjunto de casos que envolvem
dúvidas dos pontos de vista ético e legal em relação à atuação de vários
deputados."Nos
casos em que os deputados têm comportamentos fraudulentos, que
felizmente são poucos, entendo que não pode deixar de haver alguma
atitude sancionatória. Se se colocasse no nosso caso alguma das
situações de que tenho ouvido falar, acho que essas pessoas não tinham o
direito de permanecer no âmbito do Grupo Parlamentar do PS", declarou
Carlos César.Perante
os jornalistas, o presidente do Grupo Parlamentar do PS procurou traçar
uma diferença entre comportamentos dolosos e o processo de revisão das
regras existentes no parlamento para a concessão de apoios à atividade
dos deputados."Uma
coisa são comportamentos dolosos ou fraudulentos de deputados que
falsifiquem as suas presenças ou que declarem moradas que não
correspondem à realidade. Esses casos devem ter um tratamento
independente. Outra coisa são dúvidas sobre a qualidade da
regulamentação existente em relação a alguns temas, desde os seguros de
saúde, até aos apoios às deslocações dos deputados", afirmou.Sobre
o conjunto de casos de ordem ética ou de dúvidas sobre a adequação das
regras existentes atualmente na Assembleia da República, o presidente do
Grupo Parlamentar do PS referiu que a conferência de líderes avançou já
para a constituição de um grupo de trabalho, que será coordenado pelo
antigo ministro Jorge Lacão e que tem como missão avaliar questões de
procedimentos por parte dos deputados e sobre formas de disciplina que
enquadrem subsídios que lhes são atribuídos."Esperamos que essa reflexão seja rápida e que, se houver lugar a alterações, entrem rapidamente em vigor", frisou.Depois,
numa alusão às regras existentes na Assembleia da República, o
presidente do Grupo Parlamentar do PS insistiu na tese de que o
tratamento dado aos deputados das regiões autónomas da Madeira e dos
Açores "é em tudo similar às dos restantes deputados do país"."Os
deputados das regiões autónomas recebem um apoio para efeitos de
deslocações, que é calculado com base numa tarifa ideal, escolhendo a
que estiver ao seu dispor por razões de custo ou por razões de
disponibilidade de voos. Os deputados do continente têm um apoio
calculado em função da sua quilometragem entre a sua residência e a
Assembleia da República e escolhem também o meio de transporte. Quer no
caso do continente, quer no caso das regiões autónomas, existem
transportes que são subsidiados pelo Estado, no caso dos Açores e da
Madeira o transporte aéreo, que é o único existente", referiu.No
caso do continente, Carlos César destacou que a CP tem subsídios da
Assembleia da República para a existência de uma tarifa especial, assim
como aviões com preços especiais para ligações a Vila Real ou Bragança."Em
ambos os casos, os deputados não têm de fazer prova sobre as vezes em
que se deslocaram à sua residência ou ao seu círculo eleitoral. Entendo
que essa independência deve continuar a ser assegurada, porque tanto há
deputados que vão todos os fins de semana ao seu círculo eleitoral, como
outros que vão várias vezes por semana ao respetivo círculo eleitoral",
observou.Carlos
César considerou, depois, "útil" que se revisite a legislação
existente, até porque que "há situações injustas, caso dos deputados
eleitos pelos círculos da emigração"."Se
os deputados da emigração quiserem ter uma assiduidade adequada nas
visitas aos seus círculos eleitorais, certamente não têm meios de acordo
com a regulamentação existente que sejam suficientes para custear essas
deslocações", apontou a título de exemplo. Em
suma, segundo o líder da bancada socialista, o parlamento está perante
"uma matéria de grande complexidade, razão pela qual todo o regime de
deslocações pode e deve ser revisitado".Mas,
"não há nenhuma situação do ponto de vista das deslocações que envolva
qualquer irregularidade ou qualquer mau uso da legislação em vigor",
vincou o presidente do Grupo Parlamentar do PS.