CESA pede urgência para inverter declínio demográfico nos Açores
24 de abr. de 2023, 11:59
— Paulo Faustino
O Conselho Económico e Social dos Açores (CESA) considera ser necessário
implementar medidas de mitigação do declínio demográfico e de apoio à
natalidade, assinalando a urgência de inverter a tendência que se tem
registado na Região.O Conselho entende que os instrumentos
demográficos “devem atuar em conjunto, de forma articulada e
proporcional, porquanto as medidas de política demográfica adotadas de
forma isolada se têm como insuficientes para aquele propósito”. A
posição do CESA está expressa no seu parecer (aprovado por unanimidade e
enviado à Assembleia e Governo Regional) sobre a iniciativa legislativa
apresentada pelo deputado independente visando que o Parlamento
recomende ao Executivo que seja implementado um programa de combate ao
declínio demográfico e apoio à natalidade, através da criação de um
apoio monetário atribuído a cada criança num horizonte temporal de 4
anos e que o mesmo se inicie ainda durante a gravidez. No essencial,
o CESA “reconhece mérito” ao projeto de resolução de Carlos Furtado no
que respeita à necessidade de inverter a tendência de fraca natalidade
nos Açores, mas chama a atenção que as medidas que urge adotar “devem
estar alinhadas numa estratégia mais ampla de combate ao envelhecimento
demográfico e despovoamento das ilhas”.“Com efeito, a criação de
(mais) um apoio à natalidade, por si só, pode não traduzir qualquer
ganho futuro, se dissociado de outras ações de política demográfica, as
quais, no caso dos Açores, devem também equacionar a importância da
mobilidade, a aposta na qualificação, a promoção da conciliação entre
vida familiar e profissional, entre outros fatores fundamentais para
atrair e fixar a população”, salienta.O CESA lembra que nos Açores
já vigora o programa ‘Nascer Mais’, com idênticos objetivos de apoio à
natalidade, ainda que em moldes diferentes - neste programa, recorde-se,
é atribuído aos beneficiários um plafond no valor de 1500 euros para a
aquisição de produtos de saúde e bem-estar infantil durante um ano. Perante
o exposto, diz, “é conveniente que eventuais alterações nesta matéria
tenham por referência uma efetiva avaliação do impacto daquela medida
(‘Nascer Mais’), por forma a que a resposta possa ser ajustada em
conformidade”.Na verdade, o Conselho Económico e Social considera
que as respostas de política demográfica devem ter um “lugar central” na
ação governativa regional, tanto para compensar o declínio geral e o
envelhecimento da população, como para travar a redução da população em
idade ativa e a escassez de mão de obra.“No âmbito da sua atividade,
o CESA tem procurado alertar para a importância que as questões
demográficas colocam ao desenvolvimento dos Açores, bem como para a
urgência de, o quanto antes, serem identificadas as principais linhas de
atuação política que possam inverter ou mitigar os efeitos deste
declínio demográfico”, acrescenta. Para lembrar, noutro passo, que o
atual Governo Regional prometeu criar medidas de estímulo à natalidade.