CESA concorda com integração de duas empresas da SATA na Conta da Região
30 de set. de 2025, 09:01
— Rui Jorge Cabral
O presidente da Comissão Especializada Permanente de Economia e
Desenvolvimento do Conselho Económico e Social dos Açores (CESA),
Gualter Couto, considera correta a integração de duas empresas da SATA
na Conta da Região em 2024, ao contrário do Governo Regional, que
contestou esta decisão. O relatório de execução da Conta da Região
de 2024, cujos dados ainda são provisórios, esteve ontem em discussão
num plenário extraordinário do CESA, que decorreu em Ponta Delgada e aos
jornalistas, Gualter Couto começou por explicar que “pelas contas
oficiais que tínhamos até ao dia 22 de setembro, estávamos com um défice
de cerca de 184,4 milhões de euros e tínhamos uma dívida de cerca de 3
mil 292 milhões de euros e no dia 23 ficamos a conhecer que o défice
passou para cerca de 247 milhões de euros e a dívida para mais cerca de
100 milhões. Mas não foi da madrugada do dia 22 para o dia 23 que a
dívida cresceu 100 milhões... Na verdade, o que aconteceu foi uma
reclassificação por parte do INE que colocou as contas da SATA Air
Açores e da SATA Gestão de Aeródromos na esfera das contas públicas, mas
a dívida já existia, simplesmente agora e com maior transparência
sabemos o seu efeito nas contas da Região. Sabemos que o Governo
contestou, mas não me parece que venha a ter razão e o que o INE fez
julgo que está bem executado”. Recorde-se que reclassificação da
SATA Air Açores e da SATA Aeródromos, cujas contas passaram a integrar a
Administração Regional - uma medida da qual o Governo discorda -
contribuíram para a subida do défice em 2024, segundo o boletim
‘Procedimento dos Défices Excessivos - 2.ª Notificação de 2025’ do
Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Serviço Regional de
Estatística dos Açores (SREA). No boletim, é explicado que estas duas empresas do grupo SATA “foram consideradas unidades não mercantis”. Sobre
a Conta da Região de 2024, Gualter Couto alertou ainda que apenas cerca
de 55 por cento das receitas do Orçamento foram receitas diretas da
Região, vindo cerca de 35% de transferências do Governo da República e
da União Europeia. Pelo contrário e do lado da despesa, cerca de 75%
das despesas da Região são correntes, ou seja, com um grande peso nos
salários de toda a Administração Pública Regional.Contudo, concluiu
Gualter Couto, apesar da preocupação do CESA com o aumento do défice,
“queremos deixar também uma palavra de esperança, concentrando energias
no Plano e Orçamento para 2026, que sabemos que irá ser de extrema
importância para os Açores”.