CES defende aumento estrutural das pensões sempre que condições permitam
6 de nov. de 2025, 11:44
— Lusa
No parecer sobre a proposta de
OE2026, o CES defendeu um aumento estrutural das pensões em vez de
medidas pontuais, como o suplemento extraordinário que o Governo de Luís
Montenegro atribuiu este ano e em 2024.Durante
a audição de hoje no parlamento, o presidente do CES afiançou, em
resposta à deputada socialista Ana Bernardo, que este é “um tema
relativamente consensual por princípio” e que foi uma das matérias que
“foi votada unanimemente” pelos mais de 70 conselheiros. "Em
regra, sempre que as condições o permitem, os aumentos devem ser
estruturais", afirmou Luís Pais Antunes na audição na Assembleia da
República, no âmbito da discussão na especialidade do OE2026,
acrescentando, no entanto, que "no presente e no futuro haverá
certamente várias situações em que, por relações conjunturais, se
utiliza um mecanismo não estrutural de reforço das pensões".Na
quarta-feira, o ministro da Presidência foi questionado sobre este
tema, tendo indicado que o Governo aprovou uma despesa adicional em
Orçamento do Estado para 2026 para “aumentos permanentes de pensões”. Em
resposta ao deputado João Ribeiro, do Chega, Pais Antunes indicou ainda
que a Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (Apre) foi o
único membro a votar contra o parecer do CES sobre o OE2026, tendo
havido "12 abstenções". Segundo o
presidente do CES, entre os motivos invocados pela Apre para ter votado
contra está uma medida contemplada no acordo tripartido assinado em 2024
em Concertação Social, que previa a "isenção de TSU e IRS para aqueles
descontos voluntários para sistemas complementares de reforma" e que não
está contemplado no Orçamento. Por outro
lado, o relator do parecer do CES, João Carlos Aguiar Teixeira, destacou
que, no que toca ao risco de pobreza e exclusão social dos reformados, é
um dos indicadores onde Portugal está "em contraciclo", com a taxa
nacional a ser de 22,3% em 2024, "acima da média da União Europeia, que é
de 18%". Na audição e em reposta à
deputada social-democrata Sónia Fernandes, o presidente do CES admitiu
ainda que a "referência" que consta no parecer deste órgão consultivo
sobre a reprogramação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) prever
uma redução significativa no investimento em acessibilidades e inclusão
"não corresponderá inteiramente à verdade, mas é sempre uma matéria de
interpretação". O presidente do CES
indicou ainda que "a generalidade" dos conselheiros considerou "bastante
positivo o fim ou a diminuição muito significativa dos cavaleiros
orçamentais"."Por uma razão simples, é que
no meio de tudo na vida há bons cavaleiros e maus cavaleiros. Alguns
podem ser bons, mas os orçamentos ao longo dos anos foram tornando-se
uma espécie de repositório de todas as medidas de política, muitas delas
sem qualquer ligação àquilo que deve ser um Orçamento de Estado",
rematou.