Certificado de vacinação mutuamente reconhecido é “importante”
UE/Presidência
14 de jan. de 2021, 16:09
— Lusa/AO Online
“É um requisito médico
ter um certificado que comprova que se foi vacinado. Por isso, eu saúdo a
iniciativa do primeiro-ministro grego [Kyriakos Mitsotakis] sobre um
certificado de vacinação mutuamente reconhecido”, frisa Ursula von der
Leyen numa entrevista à agência Lusa e outros meios de comunicação
social portugueses em Bruxelas.A
presidente da Comissão Europeia reage assim à uma carta que lhe foi
endereçada por Mitsotakis no início da semana, onde o chefe do executivo
grego defende que, ainda que não deseje tornar a vacina “obrigatória ou
um pré-requisito para viajar”, pede que “as pessoas que já foram
vacinadas possam viajar livremente”. “O
que quer que seja decidido, quer dê a prioridade ou o acesso a certos
bens, é uma decisão política e legal que deve ser discutida ao nível
europeu, mas acho que é importante e, como referi, necessário um
requisito médico que comprove que se foi vacinado”, sublinha Von der
Leyen na entrevista, realizada a propósito da visita a Lisboa de uma
delegação da Comissão Europeia no âmbito da presidência portuguesa da
União Europeia (UE).A presidente do
executivo comunitário refere ainda que “foi e é bom” que os
Estados-membros da UE tenham negociado conjuntamente os contratos de
compras de vacinas e salienta que, até ao final da semana, 10 milhões de
doses das vacinas BioNTech/Pfizer e Moderna “já terão sido entregues”
em todos os Estados-membros.“Com estas
duas vacinas, e com o acesso a estas duas vacinas, já temos doses
suficientes para vacinar 80% da população europeia”, frisa a presidente
da Comissão. A Comissão encontra-se agora a
distribuir “rapidamente e massivamente” as vacinas, segundo a
presidente, que reforça também a necessidade de trabalhar “em estreita
colaboração” com os países da UE.“Agora,
temos de trabalhar em estreita colaboração com os Estados-membros para
nos assegurarmos que a vacinação se acelera, porque essa é a melhor
maneira para se combater esta pandemia, e ultrapassar e erradicar o
vírus”, destaca.Interrogada ainda sobre
uma suspensão temporária dos direitos intelectuais das farmacêuticas
sobre as vacinas, de maneira a permitir que países emergentes vacinem a
sua população, Von der Leyen sublinhou que a UE não tem “apenas vacinas
para a população europeia”, mas também para a sua “vizinhança”.“Garantimos
2,3 mil milhões de vacinas, o que chega e sobra para a população
europeia e para a [nossa] vizinhança, porque acho que é muito importante
que apoiemos países de baixo e médio rendimento”, defende.Von
der Leyen salienta ainda que, além da doação direita de vacinas, o
apoio dado pela Comissão Europeia e os Estados-membros à iniciativa
COVAX – que prevê a compra de dois mil milhões de vacinas até ao final
de 2021, para depois serem utilizadas em países de baixo e médio
rendimento –- está entre os mais avultados. “Somos
um dos maiores doadores, com 800 milhões de euros doados, o que permite
que, assim que a COVAX tenha acesso a vacinas, consigam comprar essas
doses”, frisou.