Cerca de 90% dos jovens já votaram, mas apenas 17,5,% têm filiação partidária
30 de jan. de 2023, 08:55
— Lusa/AO Online
Este
estudo, intitulado “Participação política juvenil em Portugal:
Resultados de um inquérito ‘online’ e de grupos de discussão com
jovens”, foi desenvolvido por investigadores da Universidade Católica do
Porto para o Conselho Nacional de Juventude (CNJ).Segundo o estudo, num total de 931 jovens inquiridos, 89,6% declararam já ter votado "em algum momento da sua vida".Em
declarações à agência Lusa, o presidente do CNJ, Rui Oliveira,
considerou que este dado permite “afastar a perceção de que os jovens
estão desligados e não participam na vida política”.“Este
valor, dos nove em cada dez, vem-nos demonstrar que, nesta questão
concreta do voto (…), eles continuam a ir votar e a ter essa
participação”, afirmou. Segundo o estudo,
dentro do universo dos jovens que já votaram, 81,8% foram às urnas no
âmbito das eleições legislativas, 79,1% nas autárquicas, 76,6% nas
presidenciais e apenas 45,6% nas europeias. À
Lusa, as investigadoras da Universidade Católica Raquel Matos e Mónica
Soares - respetivamente, coordenadora e uma das autoras do estudo -
indicaram que, para os jovens, “quanto maior a perceção de que a eleição
terá impacto na sua vida e na sua comunidade, maior a probabilidade de a
ida às urnas se efetivar”.Apesar de não
terem perguntado aos jovens em quem votaram, as duas investigadores
realçaram, contudo, que, em termos de posicionamento político, 46% dizem
alinhar-se à esquerda, 33,6% ao centro e 20,4% à direita. As
investigadoras referiram que este posicionamento político não tem
impacto em termos de ida às urnas, mas sim “noutras formas de
participação política, nomeadamente em partidos e participação em
campanhas”. “Os jovens que se posicionam
politicamente à direita são os que mais referem pertencer a partidos e
participar em campanhas. Neste grupo, 29% dos jovens pertencem a
partidos, enquanto no grupo que se alinha à esquerda, essa percentagem
desce para 15,5%”, explicaram.Apesar
destas diferenças consoante o posicionamento político, o estudo destaca,
contudo, uma tendência comum: o afastamento dos jovens tanto da
militância partidária como sindical. Segundo
o estudo, 34,7% dos jovens participam em associações, mas essa
percentagem baixa para 22,7% no que se refere a campanhas eleitorais,
17,5% para partidos políticos e 2,4% para sindicatos.Para
o presidente do CNJ, esta falta de militância explica-se pelo facto de
os jovens “não gostarem da parte burocrática e demorada” daquele tipo de
entidades, a que acresce ainda, segundo Raquel Matos e Mónica Soares,
uma “evidente falta de formação dos jovens sobre o funcionamento dos
partidos e dos sindicatos”.“Em
consequência, não raras vezes veem estas estruturas como desatualizadas e
apresentam ideias erradas acerca de para que servem e como operam. Isto
poderá contribuir também para um afastamento contemporâneo dos jovens
em relação aos partidos políticos e aos sindicatos”, referiram as
investigadoras.O presidente do CNJ
considerou que estes indicadores sobre a militância em partidos ou
sindicatos mostram precisamente que os jovens pretendem que a forma como
participam na vida política “seja realmente diferente”.Por
outro lado, Rui Oliveira abordou também os resultados do estudo que
indicam que as redes sociais já se tornaram “o meio de comunicação mais
utilizado pelos jovens” para a participação política, ultrapassando a
televisão, frisando que se trata de uma “alteração clara” relativamente a
comportamentos antigos. “Acho que nós não
fizemos essa adaptação para muitos desses comportamentos que os jovens
têm hoje, e esse, para mim, é das principais reflexões que nós temos que
fazer rapidamente para não afastar os jovens”, sublinhou.Perante
esta constatação, Rui Oliveira frisou que o CNJ vai reunir-se com as
suas organizações membro, a que pertence designadamente a JS, JSD ou
JCP, mas também a Comissão de Juventude da UGT ou a Interjovem/CGTP-IN,
para analisar o estudo.“Vamos reunir-nos,
apresentar os dados e fazer uma reflexão com elas e com o conjunto das
organizações que não são diretamente da área para apresentar soluções,
caminhos, para tomar uma posição e pensar sobre estas questões”,
sublinhou. O estudo foi feito com base num
inquérito ‘online’ que envolveu 931 jovens dos 18 aos 30 anos e que foi
realizado entre 23 de fevereiro a 31 de maio de 2022.