Cerca de 400 operacionais de quatro países treinam busca e salvamento nos Açores até sexta-feira
8 de set. de 2025, 15:51
— Lusa/AO Online
“Para nos
certificarmos de que os procedimentos instituídos são adequados a
cumprir a missão pretendida, a única forma razoável é fazer o exercício
que congregue essas audiências de treino a trabalhar durante uma semana
num local que será a nossa área de operações se houver um acidente de
grande dimensão”, afirmou, em declarações à Lusa, o comandante da Zona
Aérea dos Açores, major-general António Moldão.Desde
2015, o exercício ASAREX é realizado anualmente nos Açores, com
coordenação alternada entre o Centro de Coordenação de Busca e
Salvamento Marítimo (MRCC) de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, e o
Centro de Coordenação de Busca e Salvamento (RCC) das Lajes, na ilha
Terceira.Este ano, o exercício parte da Base Aérea n.º 4, nas Lajes, e envolve meios aéreos de três países.De Espanha, chegam um Super Puma das Canárias e um C-235 de Madrid, e do Canadá um C-295.Além
dos meios afetos à BA4, nas Lajes, o exercício envolve também um C-130
da Base Aérea número 6, do Montijo, e um P3 Cup, avião de longo alcance,
da Força Aérea Portuguesa.Entre militares
de Espanha e Canadá, militares portugueses e norte-americanos da Base
das Lajes, militares da Marinha Portuguesa e operacionais de outras
entidades, estarão envolvidas diretamente no exercício “entre 350 a 400
pessoas”.Segundo António Moldão, Portugal
“tem uma área de responsabilidade muito vasta”, fazendo fronteira com
oito países, por isso é importante envolver entidades desses países
neste exercício.O objetivo é testar a
“coordenação dos meios de busca e salvamento se houver necessidade de
fazer uma intervenção mais musculada, decorrente de um acidente grave
com uma aeronave ou com um navio, que obrigue à colaboração de países
amigos e vizinhos”.“Tendencialmente, os
procedimentos que temos instituídos são sólidos e vão permitir resolver
as situações que temos identificadas, mas eventualmente poderão surgir
oportunidades de melhoria e elas serão introduzidas”, apontou o
comandante.Durante uma semana serão
testados cenários de busca e salvamento à noite, com o avião canadiano
C-295, e cenários de resgate em alta altitude, na ilha do Pico, com o
helicóptero das Canárias.Estão ainda
previstas missões de busca e salvamento no mar, que vão envolver também
os meios navais da Marinha portuguesa, e simulacros de acidentes aéreos,
com multivítimas, para treinar a coordenação com a Proteção Civil e
outras entidades dos Açores.“Os cenários
foram construídos para ir ao encontro das necessidades de treino da
missão primária de cada uma das unidades de busca e salvamento
envolvidas”, explicou António Moldão.Para o
comandante da Zona Aérea dos Açores, “a relevância estratégica do
arquipélago prende-se com a geografia e ela é imutável”.“É
fundamental para Portugal ter uma presença robusta da Força Aérea no
arquipélago e é isso que temos estado a fazer e vamos continuar a
fazer”, frisou.Independentemente da
importância geoestratégica que a Base das Lajes possa ter para países
estrangeiros, o arquipélago é estratégico, em primeiro lugar, para
Portugal, defendeu António Moldão.“Somos
responsáveis primários pela busca e salvamento, mas somos também uma
entidade essencial para o transporte de doentes entre ilhas e para o
continente. Quando alguém precisa de ser extraído do mar com rapidez, só
há uma hipótese de o fazer: é ir lá um helicóptero”, reforçou.Além
de Força Aérea e Marinha, participam ainda no exercício GNR, PSP,
Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, Bombeiros da
Madalena, da ilha do Pico, Atlânticoline, Escola do Mar dos Açores e
Mutualista Açoreana.