Cerca de 30 famílias açorianas regressaram do Canadá por dificuldades económicas
29 de mai. de 2025, 10:22
— Carolina Moreira
O presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, revelou ontem
que as escolas da Região integraram recentemente 47 crianças oriundas de
cerca de 30 famílias que regressaram do Canadá por dificuldades
económicas.“São cerca de 47, todos muito bem integrados, o que
significa que houve famílias que, por vontade própria, regressaram aos
Açores e estão, obviamente, na plena integração social, laboral,
económica e educativa”, destacou o líder do executivo, adiantando que
irão “continuar a chegar” tendo em conta o “aumento do custo de vida” no
Canadá.Em declarações aos jornalistas no Palácio de Sant’Ana, em
Ponta Delgada, após uma reunião com o presidente da AIMA - Agência para a
Integração, Migrações e Asilo, Pedro Gaspar, José Manuel Bolieiro
revelou ainda que, recentemente, foram deportadas cinco pessoas para os
Açores - três do Canadá e duas dos Estados Unidos da América (EUA).“Os
Açores foram pioneiros em ter um plano de contingência para deportações
que está pronto e que não foi acionado por desnecessidade. Tanto que,
em termos de deportações, temos cinco, curiosamente a maioria do Canadá.
Portanto, está relativamente controlado, o que é positivo”, frisou.Após
a reunião com a AIMA, o presidente do Governo Regional considerou que
os Açores são “um caso de sucesso de integração” de migrantes, avançando
que, de acordo com dados de 2023, encontravam-se integrados na Região
cerca de 6200 imigrantes. “E os dados de 2024 apontam para um aumento”,
frisou.“Há um bom acolhimento, as pessoas estão bem integradas. Nós
aqui recebemos bem os imigrantes e integramos bem as suas opções de
imigração económica, isto é, de trabalho e de inserção social e cultural
pacífica”, salientou, alertando contudo para a necessidade de “estarmos
vigilantes”.Nesse sentido, Bolieiro revelou que o Governo Regional
está a “construir um entendimento para uma possível relação colaborativa
entre a administração regional autónoma e a própria AIMA” que prevê que
esteja em vigor a partir de “julho”.“Temos um território muito
descontinuado, assimétrico em termos de população e, muitas vezes, a
capacidade de prestar serviço administrativo em cada um dos nossos 19
concelhos não é muito racional em termos económicos e administrativos.
Por isso, estamos a construir esta disponibilidade para uma colaboração,
aproveitando a capacidade instalada da administração regional
autónoma”, frisou Bolieiro, garantindo que o objetivo é “antecipar
situações e garantir ainda mais eficácia e menos transtorno para os
imigrantes” nos Açores.Por seu lado, Pedro Gaspar, que se deslocou à
Região para perceber a capacidade de resposta das unidades locais da
AIMA aos imigrantes, mostrou-se satisfeito com a atuação da entidade que
lidera.“Posso constatar que temos uma panorama relativamente
tranquilo na perspetiva de integração, articulação e dinâmica [nos
Açores]. Em jeito de piada, podia dizer que não encontrei filas à porta,
como noutros locais”, afirmou, salientando contudo que “há sempre
capacidade para melhorar e ter outro caráter de eficiência”.Em declarações ao Açoriano Oriental, o presidente da AIPA - Associação
dos Imigrantes dos Açores, Leoter Viegas, identificou como prioridade a
necessidade de agilizar o processo de renovação dos títulos de
residência, da responsabilidade do Instituto dos Registos e do Notariado
(IRN), uma vez que só existem dois balcões disponíveis, em São Miguel e
Faial.Apesar da situação não ser da alçada da AIMA, Pedro Gaspar
mostrou disponibilidade para prestar auxílio perante os
constrangimentos.“Tivemos uma situação na Madeira em que, não sendo
responsabilidade da AIMA, a AIMA até assegurou as renovações
substituindo-se ao IRN nessa matéria. Portanto, naturalmente que nos
Açores estamos sempre recetivos a lançar mão ou poder ir em auxílio de
outro organismo que não tenha essa capacidade”, salientou.