Cerca de 270,6 mil ME em exportações do turismo perdidos entre janeiro e maio
25 de ago. de 2020, 09:36
— Lusa/AO Online
“Nos
primeiros cinco meses deste ano, as chegadas de turistas internacionais
diminuíram em mais de metade e cerca de 320 mil milhões de dólares
[270,6 mil milhões de euros] em exportações do turismo foram perdidos”,
disse Zurab Pololikashvili, numa mensagem de vídeo.
O
responsável adiantou também que, globalmente, há cerca de 120 milhões
de empregos diretos no turismo que estão em risco, devido ao impacto da
pandemia de covid-19 no setor.
“Esta
crise é um grande choque para as economias desenvolvidas, mas para os
países em desenvolvimento é uma emergência, especialmente para vários
pequenos Estados insulares em desenvolvimento e países africanos”,
alertou.
A
mensagem do secretário-geral da Organização Mundial do Turismo (OMT)
foi divulgada no mesmo dia em que a organização apresentou um relatório
sobre o impacto da pandemia no turismo.
De
acordo com o documento, as receitas de exportação do turismo podem cair
769,68 mil milhões de euros, para 1,01 biliões de euros, em 2020, o que
poderá reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) global em 1,5% a 2,8%.
O
relatório destaca que o turismo sustenta um em cada dez empregos e
fornece meios de subsistência para muitos milhões mais nas economias em
desenvolvimento e desenvolvidas.
No
entanto, em vários Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS,
na sigla em inglês), o turismo é responsável por até 80% das
exportações, ao mesmo tempo que representa uma parcela importante das
economias nacionais, tanto nos países em desenvolvimento como nos
desenvolvidos.
Além
dos cerca de 100 milhões de empregos diretos no turismo que estão em
risco, há também setores associados que empregam 144 milhões de
trabalhadores em todo o mundo.
Segundo a OMT, as pequenas empresas são particularmente vulneráveis e representam 80% do turismo global.
Já
em termos demográficos, as mulheres, que representam 54% da força de
trabalho do turismo, os jovens e os trabalhadores da economia informal
estão entre as categorias de maior risco.
Por
fim, a organização elenca cinco medidas a seguir para transformar o
turismo, tornando-o mais “resiliente, inclusivo, neutro em carbono e
eficiente em recursos”: mitigar os impactos socioeconómicos sobre os
meios de subsistência, particularmente o emprego das mulheres e a
segurança económica; promover o turismo doméstico e regional, sempre que
possível, e a facilitação de um ambiente de negócios propício para
micro, pequenas e médias empresas; avançar na inovação e na
transformação digital do turismo; fomentar a sustentabilidade e o
crescimento verde; promover a coordenação e parcerias para reiniciar e
transformar o setor, facilitar e eliminar as restrições às viagens de
maneira responsável e coordenada.
“É
preciso um maior nível de colaboração entre os países”, disse a chefe
de Informações de Mercado e Competitividade da OMT, Sandra Carvão, num
‘briefing’ aos jornalistas, a propósito da divulgação do relatório.
A
responsável considerou ainda que há uma base forte para o
desenvolvimento do turismo doméstico em vários países e que alguns até
já estão a apostar nesse mercado.
“Aqueles que são muito dependentes do turismo internacional precisam do apoio da comunidade internacional”, defendeu.
As
medidas para combater a pandemia paralisaram setores inteiros da
economia mundial e levaram o Fundo monetário Internacional (FMI) a fazer
previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial
poderá cair 4,9% em 2020, arrastada por uma contração de 8% nos Estados
Unidos, de 10,2% na zona euro e de 5,8% no Japão.