Cerca de 100 operacionais participam em simulacro de erupção vulcânica na ilha Terceira
5 de set. de 2025, 10:36
— Lusa/AO Online
“O
cenário tem como base uma erupção vulcânica e é na sequência dessa
erupção que espoletamos toda a resposta. Estão envolvidas 14 entidades
neste exercício, cerca de 100 operacionais”, adiantou, em declarações
aos jornalistas, o presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e
Bombeiros dos Açores (SPPCBA), Rui Andrade.Em
outubro de 2024, a Proteção Civil dos Açores, em articulação com as
autarquias locais, promoveu um simulacro de evacuação da freguesia das
Cinco Ribeiras, no concelho de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, num
cenário de erupção vulcânica.Quinta-feira, à hora
marcada, à porta da Junta de Freguesia dos Biscoitos, estavam pouco mais
de duas dezenas de pessoas à espera do autocarro que as conduziria à
Escola Francisco Ornelas da Câmara, na Praia da Vitória, escolhida como
zona de concentração e apoio à população.“É
normal que com a situação mais presente no nosso quotidiano as pessoas
estejam mais sensíveis e se calhar com mais vontade de participar. A
verdade é que esta condição é uma condição permanente para todos nós.
Esta suscetibilidade que temos a fenómenos vulcânicos e a fenómenos
sísmicos é muito grande e não muda ao longo do tempo”, apontou Rui
Andrade.Para o presidente da Proteção
Civil dos Açores, este exercício é importante para testar o plano de
operações para o risco sísmico do vulcão de Santa Bárbara, que é
recente, mas também para testar os planos municipais da freguesia, do
município e da região e a articulação entre as diferentes entidades.Desta vez, em vez de testar um cenário de evacuação preventiva, foi simulada uma evacuação com a erupção a decorrer.“Esta necessidade de agir imediatamente retira-nos tempo na resposta”, justificou Rui Andrade.Por
outro lado, defendeu, o simulacro é uma oportunidade para “criar
literacia na população em Proteção Civil, consciencializá-la dos riscos,
da necessidade de estar atenta para os comportamentos e as ações
adequadas a tomar neste tipo de situações”.“A
população é um elo fundamental na Proteção Civil e população mais
esclarecida, mais informada, significa população mais preparada”, frisou
o responsável.Paulo Figueiredo, residente na freguesia dos Biscoitos, aderiu ao simulacro como figurante, assumindo o papel de acamado.Admitiu que na fase mais intensa da crise sísmica a população estava apreensiva com o que poderia acontecer.“[O simulacro] é muito importante para as pessoas ficarem esclarecidas. Pena não ter mais gente”, referiu.Apesar
de a crise sísmica se manter desde 2022, Paulo Figueiredo ainda não tem
um kit de sobrevivência, mas depois de ter assistido à sessão de
esclarecimento para este simulacro admitiu esse hipótese.“Falei
com a minha esposa e disse: temos de preparar um kit. Tentar perceber o
que é necessário e reunir o que se puder”, revelou.Inês Codorniz também ainda não criou um kit de sobrevivência, mas pensou igualmente em fazê-lo.Ainda
com o sismo de 1980, que praticamente destruiu a ilha, muito presente
na memória, encara este tipo de catástrofes naturais com receio.“Eu
tenho muito medo de tudo, mas principalmente disto. Eu entrei em
desespero. Estava grávida. Faltava um mês para o meu filho nascer. Eu
passei um susto muito grande. Saí da minha casa e estive um mês numa
adega”, recordou.Com cerca de 1500
habitantes, a freguesia dos Biscoitos é a única do concelho da Praia da
Vitória que integra a área de maior suscetibilidade num cenário de
erupção do vulcão de Santa Bárbara.O
presidente da junta de freguesia, Luís Vieira, lembrou que ainda este
domingo se sentiu um sismo, que teve epicentro a 5km da localidade.“Todos nós temos receio, porque somos uma terra com possibilidade de acontecer sismos ou um vulcão a qualquer momento”, apontou.Desde 2018 que a junta de freguesia começou a preparar um núcleo de Proteção Civil, que já está concluído e equipado. “Sentimo-nos com mais condições para poder ajudar a população em caso de emergência”, assumiu Luís Vieira.Segundo
a presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Vânia
Ferreira, das 11 freguesias e vilas do concelho, três já têm núcleo de
Proteção Civil e a autarquia tem vindo adquirir mais equipamentos de
resposta a catástrofes.O simulacro permitiu ao município testar o plano municipal, “revisto há sensivelmente pouco tempo”. “Poder
pôr em prática o que se estuda e que se prepara no papel é sempre
diferente e, por isso, para nós todo o rescaldo desta situação será
muito importante para percebermos se ainda temos de evoluir nalgum
sentido”, salientou a autarca.