CEO rejeitou demitir-se porque nada fez de errado e vai "defender honra"
TAP
5 de abr. de 2023, 07:11
— Lusa/AO Online
“06 de março foi o pior dia da
minha vida, por isso, sim, vou tentar reparar a minha honra, com a
reputação global que tenho nesta indústria”, afirmou Christine
Ourmières-Widener, em resposta ao deputado Paulo Moniz, do PSD, na
comissão parlamentar de inquérito.O
deputado perguntou se a gestora pretendia ser ressarcida dos valores que
não são pagos em caso de despedimento por justa causa.“Ter
dois ministros a demitir-me com justa causa está a arruinar a minha
reputação, perante a minha família, os meus filhos e amigos. Tenho de o
fazer”, sublinhou a presidente executiva da TAP.Ourmières-Widener
adiantou ainda que quando o ministro das Finanças, Fernando Medina, lhe
perguntou se se queria demitir, a resposta foi negativa “porque não
tinha feito nada de errado”, alegando que a única explicação que
encontra para a decisão são “motivos políticos”.“Uma
demissão é também um reconhecimento de que foi feito algo de errado e
eu nada fiz de errado”, reiterou, admitindo que ficou chocada com a
conferência de imprensa de Fernando Medina e João Galamba [ministro das
Infraestruturas], onde não só foi anunciada a sua exoneração, como
também o nome do seu sucessor na presidência executiva da TAP.De
acordo com Christine Ourmières-Widener, numa reunião na noite de 05 de
março, véspera do anúncio público da exoneração dos presidentes da
companhia aérea, na sequência da indemnização de meio milhão de euros à
ex-administradora Alexandra Reis, Fernando Medina sugeriu à gestora que
se demitisse, mas não lhe disse que a ia exonerar.No
início desta inquirição, Paulo Moniz tinha pedido à presidente
executiva que identificasse quem na sala da comissão de inquérito também
tenha estado presente na reunião com o grupo parlamentar do PS na
véspera de ir ao parlamento, em janeiro, dar explicações sobre a
indemnização à ex-administradora e ex-secretária de Estado do Tesouro
Alexandra Reis.Christine Ourmières-Widener
identificou Carlos Pereira, deputado do PS, o que levou o PSD a
protestar pelo facto da inquirição pela bancada socialista ter sido
feita precisamente por esse parlamentar.