Centro para a Defesa do Atlântico lançado na quinta-feira com versão final “daqui por um ano”
20 de nov. de 2019, 18:01
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, João Gomes Cravinho afirmou que o primeiro
seminário do CeDA, que decorre na quinta-feira, em Lisboa, vi marcar “o
lançamento do centro” que ficará localizado nas Lajes, na ilha Terceira.De
acordo com o governante, a conferência na capital portuguesa será
também “um momento de formatação inicial” uma vez que a fórmula ainda
não está “completamente afinada”.“Queremos
que o centro seja, também, um pouco função daquilo que nós vamos
aprendendo com as perspetivas dos outros”, destacou o ministro da
Defesa, notando que o seminário vai contar com a presença de “cerca de
30 especialistas internacionais, de 15 países diferentes e de várias
organizações internacionais”, que se dedicam às áreas da defesa e
segurança marítima.João Gomes Cravinho
observou que, “em função dessa experiência” partilhada durante o
seminário, que decorrerá maioritariamente à porta fechada, será possível
“formatar, de forma mais definitiva, aquilo que vai ser o trabalho do
centro”.“Daqui por um ano, um ano e meio,
teremos a versão final, consolidada, e a velocidade de cruzeiro”,
anunciou o ministro, notando que “no primeiro quadrimestre de 2020”
deverá ser possível “fazer o primeiro momento de formação” nos Açores.Questionado
sobre as estimativas do Governo, que apontavam que este centro
multinacional poderia ser uma realidade até ao final do ano, o ministro
assinalou que “este arranque faz parte do processo de consolidação do
centro” que “não está, naturalmente, em velocidade de cruzeiro porque as
coisas demoram algum tempo a consolidar-se”.“Mas começámos antes do fim do ano, que era um objetivo nosso”, destacou.De
acordo com o governante, o edifício que vai acolher o CeDA na Base das
Lajes, ilha Terceira, “já existe, está em condições”, uma vez que são
“instalações que foram utilizadas até recentemente” pelos
norte-americanos, o que não obrigará a “muito trabalho” em termos de
obras. Nesse edifício ficarão reunidas as atividades de formação, a “principal atividade do centro”, sublinhou.Estas
formações poderão ter uma duração curta, de dias ou semanas, ou mais
longa, decorrendo durante vários meses, explicou Gomes Cravinho.No
que toca ao número de efetivos que colaborarão com o CeDA, ou o
investimento em causa, o ministro da Defesa afirmou que é “um pouco
prematuro para avançar com números definitivos” e que “vai depender das
atividades” realizadas.O ministro, que
fará o encerramento da sessão pública da iniciativa, que decorrerá no
Instituto da Defesa Nacional, justificou que as sessões restritas
durante o dia não se devem a estarem em cima da mesa matérias secretas, e
defendeu que “os especialistas estarão mais à vontade trabalhando com
os seus contrapartes num ambiente mais reservado, do que numa
conferência pública”.Em 26 de abril de
2018, o Governo português aprovou uma resolução que autoriza a criação
do Centro para a Defesa do Atlântico na Ilha Terceira, nos Açores,
focado “no domínio da segurança marítima, mas igualmente com um alcance
nos domínios terrestre, aéreo e da ciberdefesa”.A
ideia com a implementação do centro é "colmatar lacunas existentes no
espaço Atlântico e contribuir para o reforço da afirmação de Portugal
como produtor de segurança" junto de instituições como a União Europeia,
a ONU, a NATO, aliados como os EUA e da comunidade internacional em
geral.Em junho, o ministro da Defesa
referiu que o CeDA vai “apoiar os países do Golfo da Guiné a vigiar as
suas águas”, e poderá ser uma oportunidade para “observação do Atlântico
a partir do espaço”, e até constituir-se como “um ponto de lançamento
de microssatélites”.João Gomes
Cravinho salientou que o objetivo deste equipamento passa também por
“colocar Portugal no mapa de países que têm algo a contribuir para a
segurança no atlântico”.O jantar que marca
o momento final do seminário vai contar com a presença do ministro dos
Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e do ministro do Mar,
Ricardo Serrão Santos, bem como um representante do governo do Togo
(país do Golfo da Guiné), “um dos países mais interessados neste
processo”.