Centro de Qualificação dos Açores inicia nova fase em instalações reabilitadas
Hoje 11:50
— Filipe Torres
O Centro de Qualificação dos Açores (CQA), antiga Escola Profissional
das Capelas, entrou numa nova fase com a inauguração das instalações
totalmente reabilitadas. A infraestrutura, que foi renovada com
financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), assume-se
agora como um “universo de qualificação dos Açores”, segundo José Manuel
Bolieiro, presidente do Governo Regional dos Açores.Durante a
cerimónia de inauguração, o presidente do Conselho Diretivo do Centro de
Qualificação dos Açores, Acir Meirelles, revelou que a instituição
ultrapassou os objetivos inicialmente definidos para a certificação de
formandos.A meta estabelecida previa a emissão de dois mil
certificados durante o ano de 2025. No entanto, segundo Meirelles, o
Centro conseguiu duplicar esse número, alcançando cerca de quatro mil
certificações.O crescimento da procura reflete-se igualmente nas
candidaturas para o próximo ano letivo. O Centro disponibiliza cem vagas
para os cursos profissionais de longa duração, com três anos de
formação, mas conta já com aproximadamente duzentos candidatos.Acir
Meirelles considera que este interesse demonstra o reconhecimento
crescente da formação profissional, sublinhando que a empregabilidade
dos diplomados ronda praticamente os 100%.Segundo explicou, a
maioria dos jovens termina o curso já com uma proposta de trabalho ou
permanece nas empresas onde realizou a formação em contexto de trabalho.
Apenas uma parte reduzida opta por prosseguir estudos no ensino
superior.Meirelles destacou que o CQA não funciona apenas como uma
escola profissional tradicional. A instituição integra diferentes
respostas de qualificação, disponibilizando cursos de alfabetização,
percursos que permitem concluir o 9.º ano de escolaridade, processos de
reconhecimento, validação e certificação de competências através da Rede
Valorizar e cursos profissionais de nível IV e V.Segundo Acir
Meirelles, o objetivo é garantir que “qualquer açoriano encontre uma
oportunidade de qualificação ou requalificação profissional”.Taxa de abandono continua a preocuparO
Centro reconhece que existe ainda margem para melhorar no combate ao
abandono da formação. A taxa situa-se atualmente na ordem dos 30%,
embora Acir Meirelles tenha explicado que este valor não corresponde
necessariamente ao abandono escolar definitivo.Segundo afirmou,
muitos formandos mudam de percurso durante a formação, transitando para
outros cursos, ingressando no mercado de trabalho assim que atingem a
maioridade ou optando pelo serviço militar. Ainda assim, Acir afirma que
estão a “lutar para diminuir” esse valor.Novos cursos respondem às necessidades das empresasNos
16 edifícios requalificados no CQA, a oferta formativa vai ser
reforçada já no próximo ano letivo com novos cursos em áreas
consideradas prioritárias pela economia regional.Entre as novidades
encontram-se cursos de Modelação 3D aplicada à Construção Civil,
Eletrónica, Manutenção Industrial, Mecânica Automóvel e Estética.Acir
Meirelles explicou que a criação destas formações resulta de um
contacto permanente com as empresas açorianas, que identificam as
necessidades de mão de obra especializada.A ligação ao tecido
empresarial constitui uma das principais características do CQA. Nos
cursos profissionais, cerca de 1500 horas da formação decorrem
diretamente em empresas, permitindo aos alunos adquirir experiência
prática e facilitando a futura integração profissional. A
inauguração marcou igualmente o fim de um amplo processo de
requalificação das instalações. Ao contrário de uma expansão física, o
projeto incidiu na recuperação integral dos edifícios existentes,
modernizando salas de formação, oficinas e laboratórios, sendo que as
obras não fecharam a escola. Mesmo quando decorriam obras em dois terços
da escola, houve aulas. Entre os novos equipamentos destaca-se um
laboratório dedicado à Indústria 5.0, apresentado como um espaço único
no país para formação tecnológica avançada.Qualificação das pessoas é o principal investimento para o futuro dos AçoresO
presidente do executivo regional, José Manuel Bolieiro, classificou a
requalificação como um investimento estratégico na qualificação das
pessoas e no futuro económico da Região.Segundo revelou, a
intervenção representou um investimento global de cerca de 16,5 milhões
de euros, dos quais 14,2 milhões foram assegurados através do Plano de
Recuperação e Resiliência, sendo o restante financiado pelo Orçamento da
Região Autónoma dos Açores.José Manuel Bolieiro entende que o
Centro representa um novo conceito de qualificação profissional,
preparado para responder aos desafios da economia verde, da economia
azul, da transformação digital, da robótica, da indústria tecnológica e
da inovação empresarial.“O principal ativo do futuro são as
pessoas”, afirmou o presidente, defendendo que a aposta na formação
constitui o maior investimento que a Região pode fazer para reforçar a
competitividade da economia açoriana.José Manuel Bolieiro sublinhou
que a qualificação das pessoas constitui o principal investimento para o
futuro da Região, defendendo que a modernização do Centro de
Qualificação dos Açores permitirá responder aos desafios colocados pela
inovação tecnológica, pela transição digital e pelas novas exigências do
mercado de trabalho. O líder do executivo regional considerou que a
aposta na formação profissional é determinante para reforçar a
competitividade da economia açoriana e criar melhores oportunidades para
os jovens e adultos açorianos. “É este o grande desafio que este
universo de qualificação dos Açores propõe à nossa economia, aos nossos
trabalhadores e aos nossos empresários: sucesso pela prosperidade em vez
da sobrevivência fundada na subvenção pública. A capacidade de criação
de riqueza e de autonomia empresarial e pessoal. Esta é a visão
estratégica da governação na qualificação das pessoas”, salientou
Bolieiro.O presidente do executivo regional destacou ainda os “mínimos históricos” no desemprego alcançado nos Açores. Espaços abertos a toda comunidadeUma
das novidades anunciadas passa pela abertura das oficinas tecnológicas a
outras instituições. Acir Meirelles lançou um convite às escolas
profissionais e à Universidade dos Açores para utilizarem os
laboratórios e equipamentos sempre que necessitem, evitando a duplicação
de investimentos públicos.O presidente do Conselho Diretivo
explicou que os espaços funcionarão igualmente como fab labs, permitindo
que qualquer cidadão possa desenvolver projetos de empreendedorismo,
testar protótipos ou criar novos produtos. A incubadora instalada no
Centro pretende apoiar novas ideias empresariais e fomentar a inovação
nos Açores.