Centro de Cibersegurança nunca excluiu ciberataque mas aponta falta de indícios
Apagão
Hoje 17:54
— Lusa/AO Online
Na Comissão de
Ambiente e Energia, na Assembleia da República, José Lino Alves dos
Santos, frisou que a posição do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS)
assentou sempre na ausência de evidência e não numa exclusão categórica
de cenários, afirmando que a entidade “nunca afirmou que não foi um
ciberataque”.O responsável explicou que,
perante um evento atípico e sem sinais claros nas primeiras horas, a
prioridade foi cruzar informação com operadores, parceiros
internacionais e indústria, não tendo sido identificados indícios
técnicos, reivindicações ou atividade preparatória que apontassem para
uma origem maliciosa.“O principal foco foi
perceber a origem do problema”, disse, sublinhando que, apesar da
pressão mediática e da circulação de rumores sobre um eventual
ciberataque, “não existe qualquer indício” que sustente essa hipótese.O
coordenador do CNCS destacou a desinformação como uma das principais
ameaças durante o incidente, referindo a circulação de uma alegada
notícia falsa da CNN que atribuía o apagão a um ciberataque e que gerou
“muita confusão” e contactos massivos junto do centro.Desta
forma, a resposta institucional passou por um duplo circuito de
comunicação: primeiro junto das comunidades técnicas e operadores
críticos e, só depois, para os media.“Precisávamos
de um grau de certeza forte para nos pronunciarmos”, afirmou, admitindo
implicitamente a tensão entre rapidez e rigor num contexto de crise.José
Lino Alves dos Santos detalhou ainda que o CNCS ativou mecanismos de
cooperação internacional, incluindo redes europeias de resposta a
incidentes, e manteve contactos diretos com congéneres de Espanha e
França, sendo que nenhuma destas entidades reportou indícios de ataque
coordenado.Além disso, a análise de fontes
abertas e canais usados habitualmente por grupos cibercriminosos não
revelou sinais preparatórios ou reivindicações associadas ao incidente,
reforçando a conclusão preliminar.No dia
seguinte ao apagão, o responsável revelou que ocorreram ataques de baixo
impacto contra sites da Administração Pública e do Governo,
reivindicados por um grupo ativista que procurou “tirar proveito do
‘hype’”.Já ao nível estrutural, o
coordenador admitiu dificuldades no cumprimento das obrigações de
notificação, pois apenas “meia dúzia” de entidades reportaram incidentes
no próprio dia, levando o CNCS a notificar posteriormente cerca de 395
organizações, com 174 a reconhecer ocorrências enquadráveis.O
episódio expôs, segundo o responsável, desafios persistentes na
maturidade do sistema, num contexto em que o aumento da “densidade
digital” amplia a superfície de ataque e dificulta a proteção uniforme.Questionado
sobre a política de divulgação, José Lino Alves dos Santos defendeu uma
abordagem seletiva, baseada no princípio da “necessidade de conhecer”,
privilegiando comunicações direcionadas a entidades afetadas em
detrimento de alertas generalizados.“Há vulnerabilidades que não faz sentido divulgar publicamente se apenas duas ou três empresas são afetadas”, exemplificou.