Central geotérmica da Terceira com previsão de cobertura de 10% das necessidades
20 de nov. de 2017, 17:06
— Lusa/AO online
“Com
esta inauguração na ilha Terceira estima-se que a produção geotérmica
atinja cerca de 10% da cobertura das necessidades de eletricidade da
ilha em 2018, contribuindo para o aumento da produção, a partir de
fontes renováveis, de 22% registados em 2016 para quase 40% no próximo
ano”, disse o presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, na
inauguração da infraestrutura.O
presidente do executivo açoriano salientou que atualmente os Açores já
têm 37% da eletricidade produzida proveniente de energias renováveis,
das quais 24% são de fonte geotérmica, dando o exemplo da ilha de São
Miguel, em que os recursos renováveis já representam mais de metade da
produção elétrica (54%).Vasco
Cordeiro realçou ainda a importância destes investimentos na
sustentabilidade do desenvolvimento dos Açores e na “diminuição da
dependência de fatores externos”.O
projeto geotérmico da Terceira teve início em 2000, com a realização
dos primeiros estudos geofísicos, tendo os primeiros poços sido abertos
em 2007.A
central, que inicialmente tinha uma potência prevista de 12 MW, chegou a
ter a entrada em funcionamento anunciada para 2009 e entre o arranque
do projeto e 2015 foram investidos cerca de 30 milhões de euros.A
infraestrutura, localizada na freguesia dos Biscoitos, no concelho da
Praia da Vitória, entrou em funcionamento a 10 de agosto e os primeiros
resultados indicam que tem a mesma produção dos dois parques eólicos da
serra do Cume, também na ilha Terceira, que têm uma potência instalada
conjunta três vezes superior (12,6 MW).“Durante
este último período, a central geotérmica do Pico Alto tem vindo a
produzir de forma constante a uma potência à volta dos 4 MW, superior à
potência nominal contratada desta central que foi de 3,5 MW”, revelou o
presidente da Eletricidade dos Açores (EDA), Duarte Ponte.A
infraestrutura arranca com três poços de produção e um poço de
reinjeção, no qual o fluido geotérmico, após as trocas térmicas na
central, é devolvido ao reservatório, mas está previsto um aumento da
sua potência. “Estaremos
atentos aos resultados da exploração do reservatório geotérmico do Pico
Alto durante o próximo ano e depois de uma análise detalhada e atenta
com os nossos consultores científicos iremos equacionar a sua expansão
para 10 MW, tal como tínhamos previsto”, avançou o presidente da EDA.A
construção da central, adjudicada em julho de 2015, com um prazo de 450
dias, teve um custo de 9,18 milhões de euros, cofinanciados em 3,7
milhões de euros, pelo fundo European Economic Area Grants (EEA),
através dos países doadores Islândia, Lichtenstein e Noruega.Duarte
Ponte anunciou ainda um investimento de cerca de 1,8 milhões de euros
para a remodelação das hídricas da Nasce d’Água, no concelho de Angra do
Heroísmo, na mesma ilha, o que irá permitir “colocar na rede mais
energia renovável estável”.