Central de Valorização Energética de São Miguel é transição para modelo mais sustentável
25 de jul. de 2025, 16:45
— Lusa/AO Online
"É
com grande sentido de missão e orgulho que hoje damos início oficial à
operação da Central de Valorização Energética da Ilha de São Miguel, uma
infraestrutura que simboliza, de forma inequívoca, a transição dos
Açores para um modelo de desenvolvimento ainda mais sustentável, mais
circular e mais resiliente, apesar do entendimento crítico de alguns aos
longo dos últimos anos", disse José Manuel Bolieiro.O
chefe do executivo açoriano falava na inauguração da
Central de Valorização Energética, localizada no Ecoparque de São
Miguel, da empresa MUSAMI - Operações Municipais do Ambiente.O
presidente do Governo Regional considerou tratar-se de "um momento
histórico" para São Miguel, para os autarcas da ilha, para a cidadania,
para o ambiente, para a valorização energética e para os Açores."Houve
muita controvérsia que teve muito de exagero, mas também de utilidade,
porque ajudou à perceção mais rigorosa e ajudou ao repensar do projeto e
envolveu muito mais decisores do que na fase inicial" do projeto,
assinalou José Manuel Bolieiro, salientando que a inauguração "marca
anos de planeamento, investimento e compromisso" por "uma causa maior, o
futuro ambiental da região".Segundo o
governante, "o investimento obteve uma comparticipação comunitária no
valor de 68 milhões de euros, foram contraídos financiamentos bancários,
no valor de 27 milhões de euros, de longo prazo, tendo o restante
investimento sido assegurado por fundos próprios dos municípios da ilha
de São Miguel e consórcios da MUSAMI".A
nova central, juntamente com as unidades, já em funcionamento, de
tratamento mecânico e tratamento biológico, "permite-nos cumprir
integralmente as metas europeias para 2025", evidenciou."É
resultado de uma estratégia clara e determinada definida pela região há
vários anos. Mas, agora, reforçada e atualizada pelo Governo dos
Açores, com base no Programa Estratégico de Prevenção e Gestão de
Resíduos dos Açores, aprovado em 2023, que inclui mais de 60 medidas, a
implementar até 2030, que tem vindo a ser concretizada com seriedade,
ambição e resultados", disse.No seu
discurso, José Manuel Bolieiro adiantou que, "entre 2021 e 2023, a
reciclagem nos Açores cresceu cerca de 17%, atingindo uma taxa de
preparação para a reutilização e reciclagem de 36,4% em 2023" e, segundo
dados preliminares já disponíveis, "48%, em 2024"."A
meta dos 55% para 2025 está assim praticamente alcançada. Aliás, já foi
atingida na ilha de São Miguel", indicou o chefe do executivo açoriano.Por
outro lado, "o desvio de resíduos de aterro melhorou
significativamente, passando de 40% em 2023 para 24% em 2024", uma
evolução que "foi impulsionada pela entrada em funcionamento dos centros
de tratamento mecânico e biológico, especialmente o do Ecoparque de São
Miguel", acrescentou.José Manuel Bolieiro
disse ainda que "nada disto seria possível sem uma visão de futuro
partilhada entre Governo, municípios, os operadores de resíduos e a
sociedade civil".