Centeno diz que “não é verdade” que Governo agiu nas costas do BdP no caso Banif
21 de nov. de 2022, 18:37
— Lusa/AO Online
“Isso não é verdade”, respondeu
Mário Centeno, quando questionado pelo jornalista Anselmo Crespo se o
Governo agiu nas costas do Banco de Portugal no caso do Banif, durante a
conferência para assinalar o primeiro aniversário da CNN Portugal, em
Lisboa.Mário Centeno, que admitiu não ter
lido o livro todo, mas apenas as partes que versam sobre a sua atuação
enquanto ministro das Finanças, disse ainda que encontrou afirmações
desapontantes no livro do ex-governador do BdP, no qual Carlos Costa
acusa o Governo de ingerência em matéria de supervisão bancária.“Tinha outra ideia de como se consegue tratar a verdade”, apontou o governador do BdP.Questionado pelos jornalistas à saída, para explicar em concreto o que não é verdade, Mário Centeno não respondeu.À
pergunta se exerceu pressão psicológica sobre Carlos Costa, Centeno
pediu ao jornalista que olhasse cinco segundos para a sua cara. “Não
houve nenhuma pressão psicológica, pois não?”, questionou Mário Centeno,
passados uns segundos em silêncio.Também
questionado se alguma vez se sentiu pressionado no exercício das funções
de governador do BdP, Mário Centeno respondeu: “Nunca me senti
pressionado para fazer nada daquilo que são as minhas obrigações, nunca,
nem enquanto ministro, nem enquanto governador”.O governador do BdP reiterou ainda que “nunca” pressionou alguém no exercício das suas funções.O
primeiro-ministro e o antigo governador Carlos Costa estão em conflito,
depois de o antecessor de Mário Centeno se ter afirmado alvo de
pressões por parte de António Costa para não retirar Isabel dos Santos
do BIC.As revelações constam do livro “O
Governador”, que resulta de um conjunto de entrevistas do jornalista do
Observador Luís Rosa a Carlos Costa, que liderou o Banco de Portugal
entre 2010 e 2020, e tem provocado polémica. Com
prefácio de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, a
publicação revela factos até agora desconhecidos sobre a intervenção da
'troika', o caso Banco Espírito Santo, a resolução do Banif, as relações
tensas com o antigo primeiro-ministro José Sócrates, com o atual,
António Costa, e antigo ministro das Finanças Mário Centeno bem como as
guerras com o ex-banqueiro Ricardo Salgado e a família Espírito Santo. António
Costa anunciou que irá processar o antigo governador, a quem acusou de
ter escrito um livro com mentiras e deturpações a seu respeito e de ter
montado uma operação política de ataque ao seu caráter, depois de este
ter reafirmado que houve “tentativa de intromissão do poder político
junto do Banco de Portugal”.